Vivemos o momento histórico no qual habitam, no mesmo tempo e espaço, duas gerações que possuem as formações psíquicas completamente diferentes, estruturadas e moldadas por experiências quase que opostas.
Sempre estiveram em discussão as diferenças geracionais marcadas por acontecimentos como, por exemplo, a extinção das chamadas palmatórias e a implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente, os quais levaram as gerações anteriores a questionarem os métodos tradicionais de ensino e a se ajustarem a uma nova realidade da criação de seus filhos. Mas a ruptura que temos agora não põe em julgamento apenas aspectos culturais ou de conduta, o conflito é causado não só pela diferença de opinião, mas também como essas são estruturadas de forma psíquica.
Nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão distantes. Temos de um lado uma geração estimulada por experiências analógicas, pelo tempo de espera das assinaturas de revistas chegarem pelos correios, a presença física de conversas, levando a ter tempo para processar as coisas e os estímulos. Do outro lado, temos a geração digital, em que tudo é encontrado em segundos, na qual a troca é feita à distância e, por isso, às vezes, de forma tão impessoal. O seu livro é entregue dentro de dois dias com frete grátis.
O que me faz refletir, e trago a reflexão, que o conflito tenha como cerne o tempo e a percepção dele.
O fenômeno a ser observado vai além das discussões sobre o tempo imerso no computador ou tempo excessivo de tela, é como essa nova geração, diante disso, constrói a própria realidade. Como o sistema neurológico se desenvolveu, com quais estímulos sua personalidade se formou, qual é a velocidade em que seu cérebro aprendeu a processar e absorver tudo. O cérebro se adapta ao ambiente em que se desenvolve, por isso tendemos a perceber a geração como imediatista.
O paradoxo está ai, nas relações, no trabalho e na construção das famílias e ciclos sociais. Não dá para negar que coexistimos com as nossas diferenças estruturais, ambas gerações com suas vantagens e desvantagens, que se conectam e se distanciam, mas que sempre se encontram.
“Bom, e eu faço o que com isso agora?” Existem infinitos desfechos e possibilidades, mas em nenhum deles tem espaço para deixar de refletir sobre nós mesmos e a forma como nos comportamos nos nossos meios.

Isadora Teodoro,
Psicóloga clínica de adolescentes e jovens adultos, formada pela PUC Goiás e pós-graduanda em Avaliação Psicológica, com atuação na área de Recursos Humanos.














