Em empresas que estão profissionalizando a governança e a gestão, o conselheiro consultivo cumpre um papel estratégico. O seu maior valor está em oferecer um olhar externo, ajudando o empresário e a diretoria-executiva a enxergarem questões que, muitas vezes, passam despercebidas. Para isso, não basta ter um bom currículo, é preciso um perfil e competências específicas.
O primeiro traço essencial é a experiência prática. Não se trata apenas de quem ocupou altos cargos, mas de quem viveu ciclos completos de crescimento, crise e transformação. Essa bagagem permite trazer referências reais, identificar armadilhas comuns, como confundir controle com governança, ou resistência à mudança com preservação da cultura, e ajudar a empresa a avançar com mais segurança.
Outro pilar importante é a independência aliada à humildade. O bom conselheiro não precisa concordar o tempo todo. A sua função é questionar com respeito e clareza, sem impor soluções. Ele sabe que a empresa não é dele e equilibra coragem para falar o que é necessário com sensibilidade para não gerar resistência.
No campo das competências, destaca-se a escuta ativa. Em vez de chegar com respostas prontas, ele pergunta, ouve atentamente, conecta pontos, e só então oferece perspectivas. Essa abordagem constrói confiança e permite que o empresário exponha dúvidas que normalmente não compartilha com o time interno.
Igualmente relevante é o pensamento estratégico sistêmico. O conselheiro precisa compreender como decisões de sucessão, estrutura de capital ou expansão afetam toda a organização. Assim, consegue traduzir a visão de longo prazo em ações concretas, sem perder o foco na operação do dia a dia.
Por fim, ele cultiva a generosidade no conhecimento. Compartilha contatos, indica talentos, recomenda aprendizados e atua como mentor estratégico, contribuindo para formar a próxima geração de líderes.
Empresários e executivos em processo de profissionalização sabem: o conselheiro certo não representa custo extra, ele multiplica o valor da empresa. Escolher bem é uma das decisões mais importantes nessa jornada de amadurecimento rumo a uma melhor performance e longevidade.

Ronaldo Guedes,
sócio da Lure Consultoria, Coordenador do IBGC e Diretor da Acieg














