ANO 15 – 1970 – A fusão que uniu o movimento cooperativista
Por Leandro Resende
O ano de 1970 marca uma virada da economia brasileira. A recessão dá lugar a novos investimentos e empregos, crescimento e retomada dos negócios. O Produto Interno Bruto brasileiro crescia a taxas próximas de 10% ao ano, em meio ao período que ficaria conhecido como ‘Milagre Econômico’ Em junho, no estádio Azteca da Cidade do México, a seleção brasileira conquistou o tricampeonato mundial de futebol diante da Itália, ampliando a onda de ufanismo que se espalhava das capitais ao interior do País.
Em Goiás, o eco da vitória ainda se misturava ao rumor das colheitas de arroz e feijão quando uma decisão tomada em Belo Horizonte, no final do ano anterior, começou a reorganizar o cooperativismo brasileiro de ponta a ponta. Era a hora de acertar contas com um passado fragmentado, de altos e baixos no setor. Desde 1956, ano em que a UCEG fora criada em Goiânia, conforme registrado nos capítulos iniciais do caderno especial ‘70 Anos da OCB/GO’, o movimento cooperativista nacional convivia com duas representações paralelas: a União Nacional das Associações de Cooperativas (UNASCO) e a Aliança Brasileira de Cooperativas (ABCOOP).


A duplicidade enfraquecia o diálogo com o governo federal e, como observou décadas depois o ex-ministro Roberto Rodrigues, ela inviabilizava a organização de um movimento coeso, em um cenário em que cada troca de comando no Ministério da Agricultura podia significar avanço ou recuo para o setor.
Foi nesse contexto que entrou em cena o ministro da Agricultura, Luiz Fernando Cirne Lima. Convencido da necessidade de unificação, ele convidou o cooperativista Antônio José Rodrigues Filho para coordenar o entendimento entre as duas entidades – missão delicada que exigia conciliar interesses regionais, sensibilidades políticas e visões distintas sobre o papel das cooperativas na economia brasileira.
O resultado veio em 8 de junho de 1970, com o registro oficial da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) no cartório Marcelo Ribas, em Brasília, sob o número 729 do Livro A-5. Em julho, a fusão estava oficialmente consumada. O Brasil passava a ter um único organismo de representação do movimento cooperativista, um marco institucional que viria a ser ratificado, no ano seguinte, pela Lei nº 5.764.
Em Goiás, os ventos da mudança chegaram com rapidez. No dia 23 de outubro de 1970, no salão nobre da Federação do Comércio de Goiás (Fecomércio), na Rua 1, no Centro de Goiânia, reuniu-se a Assembleia Geral que transformou a antiga UCEG na Organização das Cooperativas do Estado de Goiás (OCEG) – uma nova transição para depois se tornar a OCB/GO. O novo estatuto, espelhado no da entidade-mãe nacional, foi aprovado na ocasião, junto com a indicação da diretoria que tomaria posse no ano seguinte.
Era o reconhecimento de que o cooperativismo goiano, nascido 14 anos antes sob a presidência de José de Assis Moraes, atingia maturidade institucional suficiente para integrar uma estrutura nacional unificada.
A entidade goiana, agora filiada à OCB, herdava o desafio de coordenar um setor em plena expansão. As cooperativas ligadas ao campo viviam salto de crescimento, beneficiadas pela ampliação massiva do crédito rural que marcou o início da década.














