ANO 21 – 1976 – Cooperativismo goiano ganha corpo e diversidade
Por Leandro Resende
Não houve, em 1976, um único ato fundador a ofuscar os demais. Todos tiveram ampla importância e fizeram da segunda metade dos anos 1970 um período germinal, de evolução e surgimento de um cooperativismo profissional que, nas décadas seguintes se consolidaria. E talvez seja justamente essa a constatação mais reveladora de 1976: o cooperativismo goiano já não dependia de um marco isolado para existir. Havia se tornado tecido, uma trama de iniciativas espalhadas pelo Estado, da capital ao sudoeste, do campo aos consultórios.
E o combustível deste fortalecimento vinha de Brasília. O II Plano Nacional de Desenvolvimento mantinha o Cerrado no centro da estratégia econômica do País, e o recém-lançado Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (Polocentro) passou a canalizar crédito subsidiado, máquinas e assistência técnica para as áreas de fronteira agrícola.
Goiás era o coração geográfico desse esforço. A Lei nº 5.764, de 1971, que cinco anos antes dera ao cooperativismo brasileiro a sua moldura jurídica definitiva, agora mostrava os seus frutos: as cooperativas eram o canal natural por onde esse dinheiro Federal chegava ao produtor – como já vem mostrando o caderno especial dos 70 anos da OCB/GO.



Reconstrução
Em Goiânia, a Organização das Cooperativas de Goiás (OCG), precursora da OCB/GO, acompanhava de perto essa dinâmica expansionista. Reconstruída após a turbulência de 1973 e com a representação nacional restabelecida, a entidade vivia um momento de consolidação institucional. O seu papel já não era apenas representar, mas organizar, orientar e dar musculatura a um movimento que crescia mais rapidamente do que a estrutura conseguia abarcar. O retrato regional revelava a diversidade que se formava no setor produtivo.
O ramo agropecuário liderava, puxado pelas cooperativas Comigo (em Rio Verde) e Coapil (em Mineiros), ambas no sudoeste de Goiás, que se transformava na nova fronteira do arroz e, em breve, da soja, além de inspirar outras cooperativas que já existiam ou se formavam nesse ciclo de expansão.
No centro-norte, a vocação leiteira ganhava corpo. O ramo da saúde despontava com força, ancorado na pioneira Coopanest-GO, fundada dois anos antes por anestesiologistas, prenunciando a “onda Unimed” que chegaria no fim desta mesma década. Pelo interior, as cooperativas de eletrificação rural, que somavam dezoito unidades em Goiás no início dos anos 1970, levavam energia onde a rede pública ainda não alcançava, condição sem a qual nenhuma modernização agrícola seria possível.

Era um mosaico em formação. Cada ramo respondia a uma necessidade concreta: crédito e insumos no campo, assistência médica nas cidades, energia na zona rural. Mas todos partilhavam a mesma lógica: permitir ao produtor o acesso ao mercado. Afinal, se estivesse isolado, tornaria-sefrágil e incipiente (adjetivo que prevaleceu na economia goiana em praticamente todos os setores nos anos 1950 e 1960). O foco mudou e o cooperativismo ajudava em todas as pontas, da infraestrutura à produção, e, principalmente, dava escala ao pequeno ao transformardispersão em força.
A industrialização que chegaria forte nas duas décadas seguintes não teria sucesso, se os pequenos produtores de leite, tomates ou grãos não estivessem organizados e preparados para abastecer as fábricas.
Goiás aprendia, ano após ano, que cooperar não era um gesto pontual. Era um método. E 1976 foi o ano em que esse método deixou de ser exceção para se tornar regra.














