Por Victor Hugo
Um Brasil profundamente transformado pelo envelhecimento populacional, ascensão evangélica e massificação das redes digitais definirá o resultado da décima eleição pós-redemocratização em 1989. Esse foi o ponto central trazido pelo cientista político, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e CEO da Quaest Pesquisa e Consultoria, Felipe Nunes, durante mais uma edição do projeto “Brasil em Reflexão”, realizado na última quarta-feira, 24, pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) em parceria com o Sebrae Goiás.
O presidente da Fieg, André Rocha, frisou a relevância do debate, ancorado nos dados esmiuçados pelo pesquisador, sobre a realidade política nacional para o desenvolvimento da economia brasileira. “Nosso objetivo é trazer reflexões sobre o nosso País e sobre o nosso Estado. Queremos provocar o debate, a discussão e a troca de ideias sobre temas que impactam diretamente o futuro da nossa sociedade”, explicou.
O evento, realizado na Casa da Indústria, em Goiânia, foi prestigiado por figuras como o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás, Joel de Sant’Anna; o presidente em exercício do Sistema Faeg, Eduardo Veras; e o diretor-superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos Neto. Além de empresários, jornalistas, dirigentes sindicais, representantes de entidades empresariais, autoridades e lideranças do setor produtivo, que estiveram presentes para “tomar as nossas decisões refletindo e enxergando um pouco daquilo que é demonstrado no livro [Brasil no Espelho] do que é a sociedade brasileira atual”, disse o presidente da Fieg na abertura da palestra.

Política e economia juntas
Felipe Nunes apontou como as mudanças econômicas no Brasil moldaram a sociedade ao longo das últimas duas décadas. O mestre em estatística pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) utilizou a pesquisa realizada no seu livro “Brasil no Espelho” para analisar como, por exemplo, a força do agronegócio extrapolou a esfera econômica para se refletir em adesão social à cultura sertaneja.
Outros fatores, a exemplo de transições demográfica, tecnológica e religiosa, também foram descritos como essenciais para entender o panorama político, econômico e social do País. “O Brasil mudou muito de 2002 para 2026. Não dá para entender o momento que estamos vivendo sem compreender as transformações que aconteceram na sociedade brasileira ao longo dessas últimas décadas”, refletiu Felipe Nunes. Segundo ele, o eleitorado definirá os rumos da nação com mais autoconsciência ideológica à luz das transformações vivenciadas.
O presidente da Fieg confirmou que a iniciativa “Brasil em Reflexão” continuará com novas edições para debater perspectivas políticas, econômicas e tecnológicas com ênfase no desenvolvimento industrial. “Acreditamos que, quanto mais informação, diálogo e reflexão tivermos, melhores serão as decisões tomadas pela sociedade e pelo setor produtivo. Queremos continuar contribuindo para esse debate e para a construção de um ambiente favorável ao desenvolvimento do País”, finalizou André Rocha.















