Muitas pessoas acreditam que empresas familiares são difíceis por natureza, eu discordo. O verdadeiro desafio está na ausência de uma gestão profissional e de uma governança corporativa madura, e isso vale para todas as empresas, sejam elas familiares ou não.
Não é só a questão familiar que pode quebrar empresas, o que mais costuma comprometer os negócios é a indefinição de papéis. Quando a mesa de almoço de domingo se confunde com a reunião de diretoria, as decisões estratégicas perdem a racionalidade técnica e passam a ser guiadas por dinâmicas afetivas ou histórico pessoal.
O problema não está em trabalhar com parentes, mas em operar o negócio sem regras claras de atuação, mérito e prestação de contas. Empresas de sucesso, sejam familiares ou não, compartilham características em comum:
Planejamento estratégico: Possuem planos de longo prazo, com metas claras e definidas, que guiam as decisões da empresa.
Governança corporativa: Implementam mecanismos de controle e transparência, como conselho de administração (ou consultivo), conselho de família e auditorias independentes.
Profissionalização da gestão: Contam com equipes de gestão qualificadas e com experiência em diferentes áreas.
Cultura organizacional forte: Cultivam valores e princípios que orientam o comportamento dos colaboradores e fortalecem a identidade da empresa.
Sucessão: Possuem um plano de sucessão bem definido, que garante a continuidade do negócio e a transferência de conhecimento entre as gerações.
É fundamental destacar que a profissionalização da gestão não significa a exclusão da família do negócio, mas sim a criação de um ambiente em que os membros da família possam contribuir com seus conhecimentos e experiências de forma estruturada e alinhada aos objetivos da empresa.
O desafio não está na natureza familiar da empresa, mas sim na capacidade de seus gestores em desenvolver uma organização sólida e bem estruturada. Vamos parar de culpar as famílias e focar no que realmente importa: construir empresas bem geridas, prontas para enfrentar os desafios do mercado e prosperar no futuro.

Ronaldo Guedes, sócio da Lure Consultoria, Coordenador do IBGC e Diretor da Acieg














