Neste oceano digital do século 21, chegam diariamente a todos nós, por meio de algoritmos, profissionais que incomodam muito. Idiotas verborrágicos autoproclamados mensageiros proféticos de uma suposta sabedoria empreendedora.
Eles começam sempre assim: “A verdade que ninguém te falou e eu vou contar agora”.
Depois disso, vomitam uma cascata de obviedades embrulhadas de retórica e despejam besteiras mirabolantes, por meio das quais prometem transformar o “fracassado” em “vitória”.
Já viu isso? Horrível, não é?
O pior é que essa burrice, aliada à arrogância, é o veneno perfeito para ser inoculado em mentes frágeis, ignorantes e sedentas de atalhos para a riqueza.
Como linguística e estudioso do comportamento humano, observo atentamente essas dinâmicas discursivas farsantes e procuro explicá-las.
Vejamos alguns exemplos:
Noutro dia, um guru coach apareceu em minha rede social para dizer o seguinte: “A verdade que ninguém falou: pare de culpar os outros pelo seu fracasso!”. Isso é genial, não é? (rsrs). Deus do Céu! Epicuro já dizia isso há 2.300 anos, quando ensinou que felicidade reside em controlar apenas o que depende de nós.
Outro imbecil motivacional disse outro dia: “Networking é tudo! Conecte-se ou pereça!”. Que novidade!!! Ora, Sun Tzu, em “A Arte da Guerra”, já ensinava, muito antes de as redes sociais existirem, sobre a importância das alianças estratégicas.
É impressionante a falta de leitura de quem gosta desses coachs e acha que essas ideias são “originais” e “inteligentes”.
Fico constrangido quando ouço alguém que me diz algo como: “Que massa! Nunca tinha pensado nisso! Cara, isso mudou minha vida!”, ao referir-se aos “novos” ensinamentos dos gurus verborrágicos.
É constrangedor!!!
Nesta semana, apareceu uma mensagem assim, em minha rede social: “visualize sua conta de R$ 1 milhão!”.
É impressionante como esse placebo psicológico, sem moralidade e sem rigor científico qualquer, tem credibilidade com grande parte dos brasileiros.
Quem é sério sabe: R$ 1 milhão se ganha com boa gestão e com trabalho, não com “visualização”.
A verdade é que vivemos numa era de verdades fluidas, em que charlatães exploram a insegurança com promessas vazias, conforme dizia o sociólogo Zygmunt Bauman, em “Modernidade Líquida”.
Como vencer isso?
Primeiro: precisamos estudar. Precisamos nos apoiar em intelectuais sérios que combatem essa superficialidade.
Mario Sergio Cortella, filósofo brasileiro, critica os “gurus de autoajuda” como mercadores de felicidade instantânea.
É preciso ler “O Príncipe”, de Maquiavel, para entender realmente de estratégia. É preciso ler “A Ética Protestante”, de Weber, para entender o capitalismo autêntico. É preciso ler “Inovação e Espirito Empreendedor”, de Peter Drucker, para entender gestão.
Segundo: precisamos contratar consultores e consultorias empresariais sérias. Precisamos de empresários realmente profissionais.
Influenciadores não constroem pontes: vendem boias furadas, com as quais você vai afundar.
A verdadeira sabedoria empresarial está nos bons livros e na experiência de grandes empresários.
A verdadeira sabedoria já foi dita há séculos. Está aí, mas exige inteligência, esforço e moralidade para ser vista.
Goiás é terra de trabalho duro e de sonhos forjados sob o sol do cerrado. Não precisamos de charlatães. Precisamos de profundidade.
A burrice do século 21 pode ser mitigada sim, mas com seriedade e com trabalho.
Abramos os livros e estejamos ao lado dos mais experientes.

Carlos André Pereira Nunes,
linguista, professor, advogado especializado em redação de atos normativos, conselheiro da OAB, diretor da ACIEG e Presidente do Instituto Carlos André.














