Por Rafael Vaz
A milhares de quilômetros dos estádios que recebem a Copa do Mundo, Goiás também sente os efeitos da maior competição do futebol mundial. Em Goiânia, arenas temáticas, transmissões coletivas, shows e eventos especiais disputam a atenção dos torcedores, enquanto bares, restaurantes, supermercados, distribuidores e indústrias se preparam para atender ao aumento da demanda gerado pelos jogos.
A expectativa do setor de alimentação fora do lar é movimentar cerca de R$ 400 milhões em junho, impulsionada por datas comemorativas e pelo interesse dos consumidores em acompanhar a competição. O número ajuda a dimensionar como um evento esportivo realizado em outro continente é capaz de movimentar a economia local, criando oportunidades para empresas de diferentes segmentos.
Na capital goiana, a Copa serviu de combustível para a criação de grandes estruturas de entretenimento voltadas à transmissão dos jogos da Seleção Brasileira. Entre os destaques, estão a Copa Experience e Arena N1, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, o Copa na Arquibancada, no Espaço Dois Ipês, e a programação especial do Portão 62.
Mais do que exibir as partidas, os espaços apostam em shows, atrações culturais, gastronomia e experiências temáticas para atrair público durante toda a competição. A estratégia reforça uma tendência observada nos últimos anos: a transformação do futebol em uma plataforma de entretenimento e geração de negócios.

Bares cheios e consumo em alta
Entre os segmentos mais beneficiados estão bares e restaurantes. Para o presidente do Sindicato de Turismo e Hospitalidade no Estado de Goiás (Sindtur-GO), Ricardo Rodrigues, os impactos econômicos são sentidos principalmente na alimentação fora do lar.
“Os bares ficam lotados nos dias dos jogos, principalmente nos jogos do Brasil. Há essa tendência de movimentar o comércio naturalmente, porque o brasileiro ama realmente o futebol e gosta de estar comemorando, bebendo e comendo”, afirma.
Segundo ele, o efeito não se limita aos estabelecimentos que transmitem as partidas. Supermercados, distribuidoras de bebidas e fornecedores também registram aumento na demanda durante o período da Copa.
“Como a Copa está lá e nós estamos aqui, esse impacto ocorre de forma indireta. Mas ele existe. As pessoas saem para consumir nos bares da própria cidade ou fazem reuniões em casa para assistir aos jogos”, observa.

O aumento do movimento também provoca reflexos no mercado de trabalho. Rodrigues explica que muitos estabelecimentos precisam reforçar as equipes para atender ao crescimento da demanda nos dias de jogos.
“Há até uma disputa entre bares e restaurantes por trabalhadores temporários. Quando aumenta a demanda, aumenta a necessidade de mão de obra para manter a qualidade do atendimento”, destaca.
Para o dirigente, um dos principais ganhos para empresas que estão fora da sede da competição é a geração de receitas adicionais. “O maior legado é realmente uma receita extra. É uma data que proporciona faturamento adicional, gera economia como um todo, cria vagas temporárias de trabalho e aumenta a arrecadação”, diz.

Futebol impulsiona as vendas
Nos supermercados, o comportamento do consumidor também muda durante a Copa. A preparação para assistir aos jogos faz crescer a procura por produtos associados aos momentos de confraternização entre amigos e familiares.
De acordo com o presidente da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Sirlei Couto, as bebidas lideram a lista dos itens mais procurados. “As bebidas, tanto alcoólicas quanto não alcoólicas, aumentam a procura. Produtos descartáveis, como pratos e copos, também registram crescimento. Além disso, há maior demanda por petiscos, carnes e itens voltados ao consumo rápido durante os jogos”, explica.
Para atender ao aumento das vendas, supermercados costumam reforçar estoques e investir em ambientação temática nas lojas.“O brasileiro é apaixonado por futebol, o que acaba contribuindo com o consumo”, resume.
O aumento da procura beneficia não apenas o varejo, mas toda a cadeia de fornecedores, desde fabricantes até distribuidores responsáveis pelo abastecimento dos pontos de venda.

Reflexos na indústria
Os impactos da Copa também chegam ao setor industrial. Embora não representem uma mudança estrutural na atividade econômica, grandes eventos esportivos costumam aquecer segmentos diretamente ligados ao consumo.
Para o presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Edwal Portilho, o Tchequinho, os principais reflexos aparecem em cadeias como alimentos, bebidas, embalagens e logística.
“Grandes eventos esportivos ajudam a impulsionar o consumo e reforçam a conexão entre produção, distribuição e varejo, beneficiando diferentes elos da cadeia produtiva”, afirma.
Segundo ele, o aumento da demanda cria oportunidades para empresas que atuam nesses segmentos, especialmente por meio de ações promocionais e estratégias voltadas ao relacionamento com os consumidores. Apesar de pontuais, esses efeitos contribuem para aquecer mercados específicos e fortalecer a integração entre indústria, comércio e serviços.

Copa deve levar bares e restaurantes a faturamento recorde no Brasil
A Copa do Mundo de 2026 deve impulsionar o faturamento do setor de bares e restaurantes em todo o País. Segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o segmento poderá movimentar R$ 2,42 bilhões durante o período da competição, resultado 15,7% superior ao registrado na edição anterior do torneio, realizada em 2022.
O desempenho reforça a capacidade da Copa de movimentar a economia mesmo em Países que não sediam partidas. No Brasil, a expectativa é que os principais beneficiados sejam bares, restaurantes, distribuidoras de bebidas, supermercados e estabelecimentos voltados ao entretenimento.
Um dos fatores apontados pela CNC para o crescimento é o horário das partidas da Seleção Brasileira na primeira fase. Diferentemente de edições anteriores, quando muitos jogos ocorreram durante a manhã ou à tarde, os confrontos deste ano acontecem à noite, favorecendo o consumo fora de casa e ampliando a movimentação em bares e restaurantes.














