Existe um clima de disputa franca, até de briga até os últimos fins com o uso de quaisquer meios, entre as nações e as empresas que as acompanham ou apostam em negócios nas e entre as nações. Não é por acaso que, dentre apenas alguns movimentos, eu mesmo fui convidado por uma grande empresa do ramo de cuidados com o ar (ou seja, sustentabilidade) cuja principal preocupação é somente a urgência. Nem há preocupação real com eventual roubo ou destruição da vantagem competitiva advinda de patentes. O que há é apenas urgência. É como se as armas fossem sempre para eventual uso posterior, quiçá pela descrença na seriedade da atual conjuntura geopolítica e econômica.
Que as guerras no Oriente Médio iriam se estender por anos, isso nós já defendiamos há meses. Que isso iria conturbar a economia mundial, todos já sabíamos. Ocorre que enquanto uns ganham, outros perdem, e a maioria das populações só vêem isso de longe. E as nações estabelecidas pouco podem de fato mudar algo de relevante a curto prazo, pelo menos.
No quesito financeiro, foram criados já há mais de dez anos os chamados stablecoins. Já são opção corrente, de fato. Mas as disputas desde cedo são de âmbito regulatório. E nada de mais definitivo há nesse sentido, ainda. Por mais que os grandes players se unam, tudo está parado no meio do caminho. Por enquanto. E o problema mesmo vem a seguir.
A dúvida é, portanto: que perspectivas então podem ter players mais sérios e que trabalham para valer com planejamento e produção, não apenas serviço?
O que vemos dia a dia é que o ambiente geopolítico está atabalhoado em todos os continentes, tanto interfronteiras como entre fronteiras. O âmbito econômico, por outro lado, geralmente usa as novas tecnologias e as técnicas resultantes como meio de investimento quando não há segurança real com os players mais previsíveis. O setor espacial está se preparando há décadas para mais uma corrida aparentemente sem fim. Os recursos minerais e estratégicos, sumamente escassos, estão sendo disputados nos âmbitos públicos e privados sem que exista a menor possibilidade de contenção normativa. A inteligência artificial já ultrapassou há meses a fase embrionária e todos estão por aí dizendo, mas quase nenhum provando, que sabem como se diferenciar e deixar a concorrência comendocomer poeira. Faltam dados para comprovar algum tipo de estabilidade mínima, até por meio de tecnologias-meio (tipo MCP, RAG, etc). E os stablecoins, que já citei? Sua regulamentação está parada, e por quê? Por causa da… Geopolítica! O que acontece é que os blocos, com posturas díspares, não aceitam um determinado tipo de regulação, de âmbito mundial. Ou seja, mesmo o que foi criado como opção aparentemente segura não consegue avançar.
Pelo menos a comunicação é suficientemente fluida no quesito mundial para que os blocos já estabelecidos se respeitem minimamente entre si. O resto é sigilo, o que hoje é moeda de troca dominada parcialmente pelas Big Techs, que nunca mais perderão relevância enquanto o mundo existir tal como está.
Num próximo artigo, falarei de outras eventuais opções, que estão não de hoje sendo aventuras.

Rodrigo Contrera, jornalista, especialista em real estate, e ator. Formado em Filosofia e Jornalismo pela Universidade de São Paulo, tendo mais de 25 anos de experiência como jornalista investigativo e técnico.














