Poucos Estados brasileiros reúnem, em um mesmo território, a diversidade turística que Goiás oferece. Temos águas quentes que atraem milhões de visitantes por ano, ecoturismo e espeleoturismo de padrão internacional no Cerrado, turismo religioso, pesca esportiva, grandes shows, eventos esportivos e a motovelocidade, com um autódromo entre os melhores da América do Sul.
Em boa parte, com calendário e reconhecimento nacional consolidado. Para onde você olha, há grandes ativos do turismo: de Terra Ronca a Rio Quente, Trindade a Goiânia, no circuito das águas (Araguaia, Tocantins, Serra da Mesa, Paranaíba), de Alto Paraíso a Muquém, só para ficar em alguns exemplos fáceis.
Além da viagem a lazer, eventos e negócios, destacamos viagens a cidades na busca de especialidades profissionais, como no setor da saúde e estética. Goiânia é um centro regional de medicina e beleza. Em algumas áreas, como cirurgias plásticas, tratamentos oncológicos e várias especialidades cirúrgicas, recebe pacientes não só de outros Estados mas também do exterior, com hospitais com padrão AAA como referência, como a bandeira Eisntein.
Temos Goiânia, centro de negócios valorizado no mercado nacional, presença constante entre as três cidades que mais atraem novos moradores no País. Esse mosaico, porém, não se sustenta sozinho. O turismo é uma cadeia: hotelaria, gastronomia, transporte, eventos, qualificação profissional, infraestrutura urbana, entre outros. O modelo só funciona quando todas as peças estão ativas e ajustadas.
E é exatamente aqui que precisamos de uma agenda firme de investimentos – em novos negócios e na modernização dos atuais – para que o Estado alcance a sua capacidade plena e consiga atender uma agenda de grandes eventos simultâneos, hoje limitada pela infraestrutura disponível. O limite de leitos, inclusive, atrapalha a atrair eventos de maior porte para o Estado.
O setor público tem papel fundamental nesta organização do setor, pois além de ser responsável por políticas específicas, têm um papel estruturante. Na ponta, o turismo é um vetor de forte arrecadação tributária e de validação e visibilidade positiva do Estado. Qualquer plano de governo inteligente tem o turismo como pilar de desenvolvimento e expansão. Precisamos reestruturar o setor em Goiás para atender a demanda prevista para a próxima década – e o movimento é interno, de reorganização, e urgente.
Os sinais de que a janela de oportunidade está aberta são inequívocos. A reforma/reconstrução do Estádio Serra Dourada, projetado como palco fixo de grandes eventos nacionais e internacionais, o Autódromo de Goiânia e o boom da tecnologia e da inteligência artificial no Estado formam um conjunto raro de ativos. Mas janelas se fecham. Se o tempo passar sem que a cadeia do turismo seja reestruturada, perderemos o timing – e o destino que, hoje, se apresenta como amplo, seguro, limpo e economicamente viável verá outros Estados ocuparem o espaço que é nosso por vocação.
Por isso, insisto: o debate eleitoral, quando trata de economia, precisa passar pelo turismo goiano. Mas não falo apenas do calendário eleitoral, que é sazonal e vive de propostas. Falo de algo mais exigente: um planejamento estratégico de desenvolvimento econômico que trate o turismo como política de Estado, com metas, prazos e responsáveis – não como pauta de ocasião. O setor pede soluções concretas: linhas de financiamento para ampliação e requalificação de empreendimentos, agenda coordenada de captação de eventos, conectividade aérea e rodoviária, formação de mão de obra, ampliação da divulgação do Estado.
O turismo é um motor que movimenta países e economias inteiras mundo afora. É uma indústria valiosa, desejada por todos, mas que poucos têm atributos para desenvolver. Goiás tem. O que falta não é vocação, é decisão. E decisão, em economia, tem prazo de validade.

Ricardo Rodrigues, empresário e presidente do Sindtur-GO e do Cetur-GO














