Rafael Mesquita
Atrás de grandes marcas, campanhas memoráveis e articulações que moldam o mercado publicitário de Goiás, existe um olhar atento que entende que a comunicação, antes de ser um negócio, é feita de pessoas para pessoas. Marco Antônio Chuahy consolidou sua trajetória profissional unindo a sensibilidade da comunicação social à precisão das relações governamentais e institucionais.
Formado pela Faculdade de Comunicação Social Anhembi, em São Paulo, Marco Antônio compreendeu cedo que uma marca é muito mais do que um logotipo impresso em papel ou uma inserção comercial na TV. “Elas funcionam como a certidão de nascimento de um produto, mas o conceito que carregam representa a sua alma”, reflete. É essa busca pelo intangível que o move.
Com essa visão de mercado, Chuahy se tornou referência pelo trabalho realizado e construiu uma trajetória de 56 anos de profissão. Foi reconhecido pelo mercado publicitário com premiações como: Profissionais do Ano Regional Centro-Leste (prêmio da Rede Globo) e Agência do Ano, do Grupo Jaime Câmara.
Nascido em 1951, em Piracicaba (SP), Marco Antônio se mudou para a capital paulista com a família quando tinha dez anos de idade. Estudou em um dos principais colégios da cidade na época, o Instituto de Educação Caetano de Campos. Para o vestibular, uma dúvida crucial: Geologia ou Comunicação Social? “Meu pai preferia que eu fizesse Engenharia ou Direito”, recorda.
Chuahy tinha trauma das aulas de matemática na escola e não queria ser um burocrata, sentado em uma mesa em uma sala. Não conseguiu passar no vestibular para o curso de Geologia. Na Comunicação Social, a sorte foi diferente. “Fiz uma boa escolha, porque lá tive os melhores professores da área e colegas que viraram referência no mercado posteriormente”, acredita.
Entre os colegas ilustres, estava Washington Olivetto, que se tornou um dos nomes mais influentes da propaganda nacional, com quem Marco Antônio estudou no primeiro ano de curso. “Ele era completamente desligado no começo e ausente das aulas, mas depois virou um gênio”, conta.
No terceiro ano do curso de Comunicação Social, Chuahy fez a opção pela Publicidade. Nessa época, via anúncios de jornais e revistas e procurava a assinatura da agência responsável pela campanha para diferenciar as melhores do mercado. Com esse olhar atento, foi indicado pelo professor para o primeiro emprego em uma das mais importantes indústrias de brinquedos do Brasil, a Trol.
“Eu fazia serviço militar e chegava cansado à faculdade, por isso, muitas vezes, dormia a aula toda. Mesmo assim, o professor de economia viu potencial em mim e me indicou para o cargo de assistente”, recorda.
Os primeiros passos na profissão foram de muita aprendizagem. Atuou em grandes eventos em São Paulo, como o Salão da Criança e várias feiras. Acompanhava a organização e o planejamento do trabalho de comunicação e começou a ter os primeiros contatos com a imprensa.
O início profissional foi marcado pela experiência em várias empresas, nas mais diversas áreas. “Na época (anos 70), havia poucos profissionais especializados na comunicação. Quando um se destacava, já recebia proposta de trabalho com um salário maior, muitas vezes, o dobro do que ganhava antes”, explica.
Marco Antônio trabalhou em importadora de relógio, empresa de tubo de aço e agências de propaganda, como no escritório no Brasil da Ogilvy, uma das maiores e mais premiadas redes de publicidade, marketing e relações públicas do mundo. Atuou nas áreas de atendimento e planejamento e em campanhas de grandes empresas como a Kibon (sorvetes) e a Samello (calçados).
Um dos momentos marcantes na carreira ocorreu quando assumiu a assessoria de controle e propaganda do Governo do Estado de São Paulo durante a gestão do governador Paulo Egydio Martins. Lá, conheceu o lado bom e ruim da política. “Uma vez, entrou um cara na minha sala, abrindo a porta sem bater, bravo, dizendo que havia ido lá buscar o dinheiro referente à mídia do veículo dele. Eu o coloquei pra fora imediatamente”, recorda.
O publicitário sabia que tratava-se de um emprego temporário e que logo voltaria à iniciativa privada. Preferia realizar a distribuição dos recursos de mídia do governo observando somente os aspectos técnicos. “Se eu fizesse falcatruas ali dentro, estaria marcado negativamente no mercado para sempre e eu não queria isso”, afirma.
Quando a exoneração do cargo saiu, a sua primeira esposa, a goiana Mirian Rezende, esperava o segundo filho do casal. Momento difícil. Foram três meses desempregado. “Tinha final de semana que eu não tinha dinheiro para comprar o leite da minha filha”, conta. Até que arrumou um emprego em uma agência de publicidade da família do então presidente da República, João Figueiredo. Na empresa, atuou entre 1980 e 1983, fazendo trabalhos importantes, como o comercial da Bombril com o personagem “Garoto Bombril”, o mais longevo da publicidade mundial, interpretado pelo ator Carlos Moreno.
A partir daí, veio uma virada de chave na vida de Chuahy que mudaria a sua trajetória pessoal e profissional. Um convite do então sogro para se mudar com a família para Goiânia.




Novos horizontes
O projeto original era se afastar da publicidade. A ideia era que Marco Antônio fosse o responsável pela gestão de uma fábrica de jeans que o sogro abriria em Goiânia. Mas o destino não iria permitir que a comunicação perdesse o profissional. “Fui atrás de entender esse mercado e expliquei a ele a necessidade de ter um alto capital de giro para iniciar o negócio. Resultado: meu sogro nem abriu a fábrica”, explica.
Chuahy decidiu retornar ao segmento que realmente era especialista e, em 1983, abriu a própria agência de publicidade: a Armazém de Ideias. “Fiz o primeiro comercial de 90 segundos da TV em Goiás”, destaca. Era a propaganda do projeto de lançamento de um empreendimento da Celta Construtora, no Morro do Além, em Goiânia. Um bom início de trajetória na nova cidade.
Recebeu uma ligação de representantes da varejista goiana Novo Mundo. A proposta era que assumisse a propaganda da nova loja do grupo, no Setor Campinas, em Goiânia. O empreendimento iria comercializar artigos para dormir e recebeu o nome de Lojas Bom Sono. O sucesso da campanha abriu portas para a agência, que assumiu posteriormente toda a propaganda do grupo. “Tive uma parceria de 15 anos com a Novo Mundo e contribuí muito por lá. Mudamos a logo, fiz sugestões de layout e treinamento de vendedores”, orgulha-se.
Um ano após abrir a própria agência, Marco Antônio descobriu que um antigo colega dos tempos de faculdade em São Paulo morava em Goiânia. O amigo o chamou para se tornar sócio da Max Propaganda. A parceria durou dois anos.
Uma outra sociedade marcante para a carreira aconteceu na Type Propaganda. O proprietário Air Seabra o ofereceu 50% da sociedade. “Foi uma parceria de muito sucesso. Tínhamos clientes importantes do mercado, como a Agroquima, a Novo Mundo, a Cical, o Shopping Bougainville e a Irmãos Soares”, explica. Entre 1987 e 1993, a Type recebeu vários prêmios pelo trabalho realizado e foi uma referência no segmento em Goiás.
Encerrada a parceria, Chuahy criou, em 1993, a agência que o consagrou ainda mais no mercado publicitário goiano: a Multipropaganda. A empresa já começou informatizada, diferente de outras da área na época. A equipe era bem enxuta, apenas seis funcionários. “Eu era o motorista, o boy e o publicitário”, brinca. Grande parte do serviço da agência era terceirizado. Além da tradicional parceria com a Novo Mundo, Marco Antônio conquistou contratos importantes com companhias como a Edimac Material de Construção e a Cical. Além de empreendimentos como o Goiânia Shopping, o Aldeia do Vale e o Recanto do Bosque.
Nesse período, recebeu alguns dos prêmios mais importantes da carreira, como o Profissionais do Ano Regional Centro-Leste (da Rede Globo) e a Agência do Ano do Grupo Jaime Câmara. “O pagamento em dinheiro é bom para pagar as contas, mas o retorno emocional não tem como descrever. O bom resultado do seu trabalho é tão importante quanto o financeiro, mostra que você está no rumo certo”, avalia. A agência durou dez anos e marcou história na publicidade e propaganda em Goiás.


Outros rumos da vida e da profissão
Chuahy dedicou grande parte dos últimos anos à realização de consultoria de comunicação e marketing. Participou do lançamento do América Shopping, na GO-060, e de trabalhos no Sicoob, ProVenda e Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). Na Fieg, desenvolveu duas edições da feira Goiás Mostra Moda, para o Sinvest (Sindicato das Indústrias do Vestuário do Estado de Goiás).
Com a experiência de ter atuado na comunicação do Governo de São Paulo no final dos anos 1970 e nas campanhas políticas de Sandes Júnior a prefeito de Goiânia em 1992, além da de Ronaldo Caiado a governador em 1994, o publicitário ainda prestou consultoria ao gabinete do ex-deputado estadual Chiquinho Oliveira.
A atuação classista também ganhou destaque na trajetória. Foi durante sete anos presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade em Goiás (ABAP-GO), com a ideia de que as empresas do setor devem agir como concorrentes, não como inimigas. “Nós somos como moscas voando em um mesmo balão. Se o balão cair, todos morrem”, reflete.
Marco Antônio afirma que o mercado goiano de publicidade empobreceu, já que houve uma migração de grandes clientes goianos para agências de São Paulo. Mas a crise do segmento vai muito além. “Infelizmente, a publicidade morreu”, avalia.
O profissional explica que a publicidade tem dois objetivos: gerar predisposição para a compra de algo e formar o conceito da empresa. Segundo ele, atualmente isso não acontece mais. “Com a diminuição significativa da influência da mídia de massa (rádio, TV e impresso), a publicidade não consegue mais gerar o efeito a longo prazo para a marca”, acredita.
Chuahy destaca que a publicidade nas redes sociais não deixa “resíduos”, garante apenas a compra instantânea do produto ou serviço. “É o conceito da marca que vai fazer com que a empresa tenha longevidade”, analisa. Ele questiona, ainda, a forma como se busca trabalhar com as marcas. “Há quanto tempo não vemos um bom comercial na TV? É claro, ninguém mal remunerado irá fazer algo de qualidade”, defende. “Os publicitários estão fazendo dancinha no TikTok e não deixam conceito. Quem vai aparecer mais é quem gritar mais alto, ou seja, repetir à exaustão”, afirma.
Um dia, as coisas voltarão a ser como antes? “Não sei, muitas coisas na vida são cíclicas. Pode chegar um momento em que as empresas vão ver que todo mundo virou japonês. Estão todos na paisagem, mas ninguém se destaca”, avalia.
Em breve, ele pretende retomar uma atividade que tem despertado seu interesse: o desenvolvimento de eventos, sobretudo aqueles voltados ao agronegócio. Chuahy já promoveu eventos com temáticas diversas ligadas ao setor, como informatização, sucessão e doenças do rebanho.


Família
O publicitário está casado há 36 anos com a atual esposa, Liliane Chuahy. Com ela, tem dois filhos. Outros três, do primeiro casamento, moram nos Estados Unidos. Tem também seis netos, todos moram na América do Norte. “Sempre vou visitá-los ou eles vêm para cá. Infelizmente, não consegui ser um avô tão presente, devido à distância”, lamenta.
Sobre a influência do pai na carreira dos filhos, Chuahy é objetivo. “Sempre os aconselhei a não fazer publicidade, porque eu sei o tamanho da encrenca”, brinca. Até o momento, quem chegou mais próximo da profissão do pai foram as filhas Carolina e Gabriela, que também escolheram a Comunicação Social, mas optaram pelo Jornalismo. A primeira já formada, mas não atua na área há anos. A segunda ainda é estudante do curso.














