Se você olhar para a sua agenda de hoje, é muito provável que ela esteja tomada por incêndios para apagar. As urgências têm um talento natural para invadir nosso tempo: um cliente insatisfeito, uma crise operacional ou um prazo estourado chegam sem pedir licença. O problema é que, tomados pela correria diária, deixamos de lado aquilo que pode ser vital para o futuro do negócio.
Existe uma grande diferença entre o que é urgente e o que é importante. O urgente exige ação imediata, mas costuma resolver apenas o curto prazo. Já o importante, como o planejamento estratégico, a inovação, a gestão de pessoas e a governança, constrói o longo prazo. No entanto, por não terem o caráter de emergência, essas pautas estratégicas vão sendo empurradas e postergadas até serem esquecidas.
As urgências entram sozinhas na nossa rotina, mas as pautas importantes precisam ser empurradas para dentro dela. É aqui que entram os ritos de gestão. Ritos não são burocracia ou reuniões para marcar reuniões; são compromissos sagrados e inegociáveis que criam a disciplina necessária para tirar o negócio do caos do dia a dia.
Pense na reunião de conselho, por exemplo, ela funciona como um rito poderoso que obriga acionistas, conselheiros e executivos a pararem tudo para pensar estrategicamente. É nesse espaço que se discutem a performance, a perenidade da organização e os rumos do mercado, impedindo que o futuro da empresa seja engolido pela operação do presente.
Da mesma forma, as reuniões periódicas de resultado são ritos fundamentais de gestão, elas garantem o alinhamento das metas, a responsabilização das equipes e a cultura da prestação de contas. Quando o gestor sabe que existe um rito de acompanhamento com data e hora para acontecer, a execução das prioridades deixa de ser uma promessa vaga e passa a ser rotina.
Se você quer garantir que a sua empresa não apenas sobreviva ao hoje, mas prospere no amanhã, pare de esperar um tempo livre que nunca vai chegar. Institucionalize ritos claros na sua organização. São eles que protegem as pautas estratégicas da tirania do urgente e garantem a evolução contínua do seu negócio.

Ronaldo Guedes,
sócio da Lure Consultoria, Coordenador do IBGC e Diretor da Acieg.














