Vivemos a era da manchete que dura um scroll, da opinião que cabe num story e da certeza que se forma antes da pergunta. A brincadeira com o estrangeirismo (scroll e story) foi de propósito, para conectar o tema deste editorial. Mas, vamos lá. Nunca se produziu tanta informação, e raramente se pensou tão pouco sobre ela. O excesso de hoje não esclarece; ensurdece.
Foi olhando para isso, e também para nós mesmos, que decidimos mudar. A partir desta edição, a Leitura Estratégica passa a circular em dois movimentos. Nas edições ímpares, as reportagens, perfis e entrevistas, com mais pesquisa, mais apuração e mais fôlego. Nas pares, que estreiam agora, a Leitura Estratégica – Pensadores: um caderno inteiro dedicado aos artigos e ensaios de quem pensa a economia, os negócios, a gestão e a sociedade a partir do Brasil Central. Vale o nosso slogan novo: O Centro-Oeste é o centro.
Pode parecer apenas uma reorganização editorial. Não é. É uma escolha de valor. Separar a reportagem do ensaio é reconhecer que são leituras diferentes, feitas em tempos diferentes, com expectativas diferentes. A notícia informa. A reflexão forma. Misturá-las no mesmo caderno, como fazíamos, era pedir ao leitor que trocasse de marcha a cada página.
Durante muito tempo, nossos colunistas ocuparam as páginas finais. Complementavam matérias, fechavam o caderno e chegavam ao leitor quando a atenção já se esgotava. Seguimos um padrão editorial e decidimos romper, não tratá-los como acessório, porque o pensamento não é rodapé.
Por isso, a cada quinze dias, eles estarão na capa, abrirão a revista e terão o protagonismo que a reflexão merece.
E por que insistir em artigos em um tempo que privilegia o curto e o instantâneo? Justamente por isso. Uma das regiões que mais crescem no País não pode importar ideias prontas do Sudeste nem terceirizar o próprio debate. Goiás e o Centro-Oeste precisam de vozes próprias, capazes de interpretar o que acontece aqui, com a nossa visão, os nossos dilemas e a nossa ambição.
Não é bairrismo. É maturidade.
O que se espera deste espaço não é unanimidade. Aposto na divergência qualificada, no argumento com lastro e coragem de tomar posição, inclusive a de ser contestado. Uma revista que só publica concordância é um ingênuo mural.
Queremos ser arena, daquelas em que se discute com firmeza (e respeito) e se sai melhor do que se entrou. Em um ambiente que insiste em dividir tudo entre certo e errado, entre nós e eles, o contraditório bem elaborado vira reflexão.
Nosso propósito não muda. Dar voz aos líderes, gestores, especialistas e executivos regionais continua sendo a razão de existirmos. Muda a forma de amplificar essa voz. Se, antes, ela complementava a notícia, agora, ela abre a conversa.
Pensar dá trabalho. Ler quem pensa, também. Mas é desse esforço que nascem as boas decisões. Boa leitura.
LEANDRO RESENDE, editor-chefe
Linkedin: leresende













