Em 1992, o estrategista James Carville resumiu numa frase a estratégia que levaria Bill Clinton à Casa Branca: “É a economia, seu burro! (It’s the economy, stupid)”. Mais de três décadas depois, a máxima volta a fazer sentido, agora em solo brasileiro, na reta final da disputa presidencial de 2026.
As pesquisas eleitorais mais recentes registram o crescimento do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, e o desgaste do presidente Lula, que até poucos dias atrás liderava a disputa. A explicação mais simples talvez seja também a mais correta. Os defeitos do candidato do PT não são novidade: são conhecidos, debatidos e precificados pelo eleitor há anos. O que mudou foi o cenário econômico.
O país atravessa um momento de acentuada pressão fiscal. O endividamento público cresce, alimentado por juros estratosféricos que encarecem a rolagem da dívida. É verdade que a taxa é definida por um Banco Central autônomo, mas ela responde ao comportamento do governo: um governo perdulário eleva o risco e, com ele, os juros. O aumento de despesas públicas para satisfazer interesses eleitoreiros fecha esse ciclo.
Mas a economia não se mede apenas em planilhas. Ela se mede, sobretudo, no carrinho do supermercado e na sacola da feira. É ali que o brasileiro médio faz a sua própria leitura da conjuntura. Pouco importa que alguns indicadores, como o emprego, sejam favoráveis: eleição se decide pela percepção, não pelo confronto de dados. Quando o dinheiro rende menos a cada semana, a insatisfação encontra um destinatário natural: quem está no poder.
Há um recorte que merece atenção. O segmento produtivo, formado por empresários, agricultores e industriais, ao lado de profissionais liberais e prestadores de serviço, já vinha manifestando preferência por um candidato com maior compromisso com um ambiente econômico austero, de responsabilidade fiscal e previsibilidade. Esse eleitorado, que sente na pele o custo do crédito e a insegurança regulatória, há tempos sinalizava descontentamento.
A novidade é que essa percepção começa a se espalhar para além do setor produtivo. A população em geral, que não acompanha o boletim Focus nem a curva de juros, passa a associar o aperto no orçamento doméstico às escolhas da política econômica. É esse movimento que as pesquisas parecem captar.
Eleições não se decidem apenas pela economia, e as urnas ainda podem reservar surpresas. Mas, se a história ensina alguma coisa, é que governos raramente sobrevivem incólumes quando o eleitor sente que a vida ficou mais cara. Carville tinha razão em 1992. Tudo indica que continua tendo em 2026.

Juscimar Ribeiro, advogado especialista em Direito Administrativo e Direito Constitucional














