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Inteligência STG: o crédito no Centro-Oeste

Leitura Estratégica por Leitura Estratégica
setembro 12, 2026
em Artigos
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Goiânia rumo aos 100 anos sem personalidade

Leandro Resende

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Nos últimos dois anos, tenho trabalhado incansavelmente na construção de uma nova plataforma, baseada em análise econômica e dados. A Inteligência STG está na reta final de concepção e, em até 30 dias, espero apresentá-la aos amigos da Leitura Estratégica e da STG News. Abaixo, um resumo de seu potencial, que poderá ser replicado em mais de 20 diferentes indicadores com dados primários. Aguardem. Falaremos sobre isso em breve.


Vamos ao crédito no Centro-Oeste. Usando sempre dados do Banco Central e do IBGE, trago um balanço, com minha análise.


Nos últimos sete anos, ao verificar os balanços do Banco Central, identifico o Centro-Oeste como protagonista involuntário do crédito no País. Em novembro de 2021, auge do dinheiro barato, apenas 6% da carteira de crédito goiana inspirava preocupação, o chamado ativo problemático, que soma atrasos e reestruturações.
Mato Grosso chegou a operar com extraordinários 4% em 2022, o melhor risco de crédito do País agrícola. Em julho de 2026, esses números eram 11,7% em Goiás, 12,2% em Mato Grosso do Sul e 10,3% em Mato Grosso. O risco dobrou em Goiás, e quase triplicou no vizinho. O agravante: descolamos do Brasil, que foi de 6% para 8,4% no mesmo intervalo.


O leitor atento perguntará se parte desse salto não é algum dado sazonal ou setorial. O BC endureceu o critério do ativo problemático em 2025, e as carências da pandemia maquiaram os atrasos de 2020. Mas a inadimplência pura, imune às mudanças de critério, conta a mesma história: 7,1% em Goiás e 7,4% em Mato Grosso do Sul contra 4,7% no Brasil. Ou seja, não é factual, setorial ou pontual. A deterioração é real e regional.


Para piorar, as raízes estão na economia cotidiana. A safra goiana de grãos encolheu 13,1% em 2026, com o milho segunda safra perdendo um quarto do rendimento. O crédito rural do Centro-Oeste (R$ 211 bilhões, um quarto de todo o rural brasileiro) opera com 12,7% de ativos problemáticos.
Outro problema é que a rede de proteção encolheu: a subvenção ao seguro rural caiu para menos da metade, justamente no ano em que se anuncia um El Niño potencialmente histórico. Nas cooperativas de crédito goianas, epicentro do financiamento ao campo, o indicador saiu de 4,1% para 19% em cinco anos, ou seja, do melhor risco do sistema ao mais tensionado no País.


Mas, vamos lá, amigos. Não é o caso de decretar uma crise generalizada, apesar dos números dolorosos. A indústria goiana acumula alta de 3,3% em doze meses, com a farmacêutica de Anápolis emendando oito meses de crescimento e as extrativas avançando 24,5% ao ano. O Distrito Federal, zero agro e com pilar no salário público, atravessou o período quase ileso, com o seu melhor momento de crédito em dezembro de 2024 – quando o interior (agro) já estava há um ano dentro do aperto.


Não estamos no caos ou perto do colapso, mas é clara a transferência de risco da porteira para dentro. Os estados da Região Centro-Oeste têm um estoque de crédito na ordem de R$ 340 bilhões; já equivale a um PIB goiano inteiro.


Consequências deste momento turbulento: o crédito está – e ficará – ainda mais caro e seletivo, pois os bancos reprecificam o risco olhando exatamente para essas curvas, em um cenário agravado pela explosão das recuperações judiciais no radar dos analistas de crédito. As estruturas de garantia, seguro e proteção de preço deixaram de ser sofisticação para se tornar condição de acesso. E o caixa próprio voltou a ser uma vantagem competitiva. A verdade é que o ciclo do dinheiro fácil terminou em 2022 e, de lá para cá, a insegurança ditou as regras do jogo. O efeito vai se refletir, anotem, nos próximos dez anos do agronegócio brasileiro.
É isso. Apresentei, pela primeira vez, uma breve fotografia do que estou prestes a lançar. Obrigado pela leitura e, em breve, trarei mais informações para vocês.

Leandro Resende,

editor-chefe da Leitura Estratégica.

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