Sim. Lamento decepcionar as pessoas mais sensíveis, mas a guerra inventada por Trump contra o Irã foi apenas e tão somente isso.
Era preciso usar todo aquele estoque imenso de armas e balas, para renovar as reservas e fazer a indústria trabalhar. Chato afirmar isso, mas, no fundo, contadas as baixas e os ganhos, todo esse teatro foi apenas para isso mesmo.
O teatro geopolítico do Oriente Médio sempre foi, desde que o xá do Irã foi deposto, o de uma espionagem de desgaste, em que Israel cumpre um papel-chave de bastião dos Estados Unidos desde que tentaram destruí-lo e não conseguiram. Foi dessa época a ideia de que os terrenos poderiam ser o que cada um quisesse que fossem. A ideia de soberania ali nunca “colou”.
Desde então, portanto, era preciso que algo acontecesse. Trump aproveitou a deixa dos massacres em Gaza para atiçar o Irã e, com isso, permitir a todos gastarem os recursos disponíveis para atacar ou para se defender. Sabia-se que tudo iria acabar assim? Não, na verdade. Mas o bom estrategista percebia que o mercado estava a par dos ganhos e perdas, e que portanto ele sabia que jamais poderia de fato perder.
O jogo de geopolítica na região contaminou, como também era previsível, o mundo todo. As potências se mexeram e ficou mais do que claro que as alianças entre elas sempre foram nada mais do que mera conveniência. Tanto fazia quem fizesse o quê, contanto que a indústria ganhasse, os potenciais vencedores ficassem na moita e, portanto, a guerra acabasse meio que sem dar uma aparência clara quanto aos seus reais motivos. Ou seja, a guerra se justificou nela mesma. A guerra pela guerra, tão somente.
Trump não ganhou nem perdeu, fazendo as contas. Impôs sua parcialidade ao mundo, que precisou se posicionar a respeito, mas sempre sem a desculpa de utilizar um tipo qualquer de argumentação de cunho moralizante ou humanizante. A possibilidade de se estudar o assunto de forma isenta acabou, portanto, para toda e qualquer nação direta ou indiretamente envolvida.
Para confirmar esta leitura, basta com que qualquer pessoa resolva estudar as aparições do Oriente Médio no noticiário tradicional. Ele nunca esteve fora do centro de nossas atenções. E, na verdade, ele se alimenta claramente disso. É assim que basta um morto na região que as potências param, como se esse morto fosse injustificado, ao passo que qualquer outro não pode se colocar nessa posição.
Mas, para além disso, o que derivar do contexto atualmente vigente? Diversas conclusões.
1) Ao sequestrar Maduro, os Estados Unidos deixaram claro por que a América Latina para eles sempre foi apenas um quintal bagunçado;
2) Ao cogitar ocupar a Groenlândia, os Estados Unidos deixaram claro de que forma a União Europeia pretende afinal agir: sempre na defensiva, e sem qualquer vestígio de pudor;
3) Já só atiçar o Irã e a região, os Estados Unidos deixaram claro que não precisam justificar nenhuma de suas ações. Como todo e qualquer partícipe do jogo geopolítico mundial sempre soube.
Com isso, o medo deixa claro que no mundo veio enfim para ficar.

Rodrigo Contrera,
jornalista, especialista em real estate, e ator. Formado em Filosofia e Jornalismo pela Universidade de São Paulo, tendo mais de 25 anos de experiência como jornalista investigativo e técnico.














