Como todo bom administrador de empresa conhece, a velha máxima da administração de capital de giro diz: aumente o prazo de pagamento a fornecedores, diminua o prazo de recebimento de clientes, acelere o giro de estoque. Esta é a primeira e mais recorrente fonte de geração de liquidez em qualquer companhia. É claro que aumentar a margem bruta também ajuda, mas o caixa não sobe tão rápido quanto na alternativa anterior.
As outras escolhas não são decorrentes da operação da empresa, mas de estratégias financeiras. Os sócios podem ser convidados a aportar capital. Mas, via de regra, para a pessoa em questão (a pessoa jurídica, ou simplesmente empresa) esta é uma opção cara, pois os sócios procuram uma rentabilidade sobre o seu ativo empregado bem maior do que uma captação financeira usual.
A venda de ativos pode gerar muito caixa para a companhia, mas isso pode demorar a se tornar líquido. Na venda de ativos, o gestor deve tomar cuidado com a operação, por exemplo: se for um ativo diretamente ligado ao core, como a fábrica, deve ser vendido para alguém que vai arrendá-la de volta, e com um contrato de longo prazo.
Mas a geração de liquidez mais usual que não depende da operação da companhia é a captação em mercado financeiro, via bancos, fundos, securitização, entre outras. Quando a empresa não carece de recursos de terceiros, a captação é fluida e sem esforços, e é o oposto quando a companhia realmente precisa. Haja garantias, lastros e persuasão para se conquistar algum recurso.
Mas como prever que sua empresa vai perder liquidez e agir antecipadamente?
Existem alguns indicadores para isto. Gosto muito do modelo Fleuriet de risco conjuntural, que divide a situação da empresa em seis modelos, a fim de evitar o tão temido “efeito tesoura”. O endividamento versus Ebitda também pode indicar se sua empresa está ficando sem fôlego, o ideal é que esse índice fique abaixo de três vezes. E o próprio Ebitda mostra se sua firma está se dando bem ou não, mas faça um benchmarking bem-feito com outras do mesmo segmento.
O mais importante é identificar que poderá haver falta de liquidez e agir antecipadamente. Como aumentar prazo com fornecedor e diminuir prazo com o cliente não é tão fácil assim, prepare a sua empresa para captar no mercado financeiro com antecedência. Monte um plano do que fará com o dinheiro captado, faça um estudo de viabilidade desse plano e, se viável, vá em busca dos recursos antes que números denunciem uma má gestão.

Maicon Farina, sócio-Diretor da Lure Capital, Vice-presidente da Câmara Setorial de Governança Corporativa da ACIEG e Conselheiro Fiscal do Sicoob Unicidades.














