Pergunta do Cláudio Macedo, CFO na Cifarma Farmacêutica, para a Coluna Conselho. Confira a baixo a resposta da colunista Pollyana Oliveira Guimarães.
Equilibrar os interesses dos acionistas e herdeiros em uma empresa familiar durante o processo de sucessão é um dos maiores desafios de governança corporativa, pois envolve aspectos emocionais, familiares e empresariais. O principal objetivo é assegurar que a transição de liderança não comprometa a continuidade do negócio e os princípios da boa governança. Para isso, algumas estratégias podem ser adotadas.
Primeiramente, é essencial estabelecer um:
1) Planejamento sucessório estruturado e transparente. Esse planejamento deve ser discutido de maneira clara entre todos os membros da família, com o apoio de consultores externos especializados. A transparência no processo ajuda a mitigar possíveis conflitos e garante que todos os envolvidos compreendam os critérios de sucessão, evitando que interesses pessoais sobreponham-se às necessidades da empresa.
2)Outra prática importante é a criação de conselhos de administração e de família. O conselho de administração é responsável por garantir a boa governança e tomar decisões estratégicas, enquanto o conselho de família, composto por membros da família e, quando necessário, Conselheiros externos, tem a função de alinhar os valores familiares com os interesses empresariais. A presença de um conselho independente pode ser crucial para trazer uma visão imparcial e assegurar a continuidade da empresa, além de minimizar os riscos de decisões baseadas apenas em sentimentos ou disputas familiares.
3) É fundamental também que a profissionalização da gestão seja uma prioridade. Isso implica contratar executivos qualificados, sem vínculos familiares, para assumir a gestão operacional da empresa, enquanto os herdeiros e acionistas mantêm o controle estratégico e a supervisão. Isso assegura que as decisões empresariais sejam tomadas com base em critérios técnicos, e não apenas em questões familiares.
4)Definição de papéis claros entre os membros da família e os acionistas é um passo essencial para evitar disputas de poder e garantir a continuidade da empresa. A delimitação de responsabilidades e o estabelecimento de regras sobre como as decisões serão tomadas podem ser formalizados em acordos de acionistas.
5)A comunicação constante entre acionistas e herdeiros é indispensável. O diálogo aberto sobre as expectativas de cada parte, as responsabilidades de gestão e os objetivos estratégicos da empresa cria um ambiente de confiança mútua, permitindo que todos os interesses sejam considerados sem prejudicar a governança e a continuidade do negócio.
Assim, equilibrar os interesses familiares e empresariais passa por um processo de governança bem estruturado, que contemple planejamento sucessório, profissionalização da gestão e governança clara, assegurando que a transição seja realizada de forma ordenada, sem comprometer a estabilidade e o crescimento da empresa.

Pollyana Oliveira Guimarães
Sócia da Consilium, Conselheira Consultiva em empresas familiares e Startup, Mentora de Líderes e Professora de MBA em cursos de liderança.