Erick Alves
O primeiro encontro preparatório para o Braminvest 2026 – Brazil & Latin America Mining Investment Hub – foi realizado na última terça-feira, 11, e reuniu especialistas, investidores e representantes do setor mineral para discutir oportunidades de negócios, atração de capital e desenvolvimento da mineração no Brasil e na América Latina.
A reunião antecede o Braminvest 2026, marcado para os dias 17 e 18 de novembro, no Centro de Convenções de Goiânia. Segundo a organização, o evento pretende funcionar como uma plataforma de conexão entre investidores globais, detentores de ativos minerais, compradores, vendedores, empresas e instituições ligadas ao setor. A proposta inclui rodadas de negócios, apresentação de projetos, comercialização de bens minerais e discussões sobre a industrialização de minerais críticos. O site oficial (www.braminvest.com.br) apresenta o evento como uma plataforma voltada à conexão entre capital global, ativos minerais, compradores, vendedores e parceiros estratégicos.

NOMES IMPORTANTES
Participaram do encontro Guillaume Légaré, head da Bolsa de Toronto (TSX) para a América Latina; Mauro Lopes, CEO da Concepro e representante da Invest Minas na Austrália; Adriano Clary, CEO da Integrallis – Consultoria em Mineração Brasil-Europa; Isadora Coimbra, CEO da Odora Minerals; Lívia Parreira, superintendente de Mineração do Governo de Goiás; Luciano Borges, CEO da Ad Hoc Consultores Associados; Wilson Borges, CEO da Expert Brasil Mining; e Getúlio Faria, presidente executivo do Braminvest.
A dinâmica do evento inclui reuniões B2B e conexões diretas entre produtores, traders, investidores e indústrias consumidoras. “A programação principal também prevê uma área de exposição, reuniões de projetos e rodadas de negócios durante os dois dias de realização. A intenção é aproximar diferentes elos da cadeia mineral e transformar a apresentação de projetos em oportunidades concretas de negociação, financiamento e parcerias”, destaca o presidente da Braminvest, Getúlio Faria.
Haverá participação de ativos em diferentes estágios, desde direitos minerários e projetos de pesquisa até projetos avançados, em implantação e em operação. “A proposta é criar um ambiente em que projetos possam ser apresentados a investidores e potenciais parceiros de acordo com seu estágio de desenvolvimento”, destacou Getúlio.

Oportunidades de investimentos em mineração
No início do dia, o cenário internacional de investimentos em mineração e os fatores que podem tornar projetos brasileiros mais atrativos para o capital estrangeiro foi discutido. Moderador do encontro, Wilson Borges destacou que o Braminvest pretende ser mais do que um evento pontual. Segundo ele, a proposta é construir uma plataforma permanente e itinerante de negócios e estruturação de ativos.
“O Braminvest é uma plataforma permanente, inteligente, de negócios e estruturação de ativos. Então, ele não é apenas um evento específico. Ele é contínuo e permanente, além de itinerante”, destacou Wilson.
Na sequência, Guillaume Légaré apresentou informações sobre o mercado canadense e o papel da Bolsa de Toronto na captação de recursos para o setor mineral. De acordo com ele, mais de 1.200 empresas de mineração estão listadas na TSX e na TSX Venture Exchange.
Légaré ressaltou que a participação da mineração na captação de recursos realizada pela Bolsa de Toronto. Segundo o executivo, até junho de 2026, foram levantados US$ 18 bilhões, dos quais US$ 9 bilhões tiveram como destino o setor mineral.
“Isso é uma mensagem muito forte em nível global, mas também muito forte para a América Latina e para o Brasil: o capital está alinhado com a mineração. Mas isso não quer dizer que somente um bom ativo mineral tenha acesso a capital. Todos os mercados estão competindo por capital”, disse o executivo.
Para o representante da Bolsa de Toronto, além da qualidade do ativo, a preparação dos projetos e das equipes responsáveis pela gestão são fatores importantes para a aproximação com investidores. “Não é só uma questão de qualidade do ativo, mas também da equipe de gestão que está à frente desse ativo. A preparação também é importante.”
Légaré ainda apontou a importância da preparação de materiais destinados a investidores e das conexões entre projetos e capital. Ele citou a realização de road shows no Brasil e na América Latina como parte desse processo de aproximação.
A apresentação oficial do Braminvest segue uma lógica semelhante: entre seus objetivos, estão conectar investidores globais a ativos minerários na América Latina, realizar rodadas de negócios para comercialização de bens minerais, fomentar a industrialização de minerais críticos e apresentar alternativas de crédito e capital para a mineração.

Interesse australiano
Por sua vez, Mauro Lopes abordou a perspectiva de investidores australianos sobre projetos brasileiros e latino-americanos. Com experiência de mais de duas décadas no setor mineral e atuação na Austrália, Lopes explicou que o interesse australiano pelo Brasil aumentou ao longo dos últimos anos, especialmente diante da maior presença de empresas globais em solo brasileiro e do crescimento da atenção aos chamados minerais críticos.
Segundo ele, projetos que já apresentam informações geológicas e histórico de exploração tendem a oferecer maior segurança para potenciais investidores. “O interesse australiano mais óbvio é por ativos que já têm um histórico, que já possuem alguma informação, uma exploração mineral, uma pesquisa mineral minimamente desenvolvida.”
Adriano Clary discutiu as possibilidades de aproximação entre o setor mineral brasileiro e o mercado europeu. Na avaliação de Clary, o modelo canadense pode servir de referência por aproximar setor público, iniciativa privada, academia e recursos financeiros. “O modelo canadense é espetacular, no sentido de que ele trabalha com a chamada ‘tríplice hélice’: coloca o poder público, o setor privado, a academia e o recurso financeiro sempre conversando.”
Ao abordar o mercado europeu, Clary contextualizou o cenário geopolítico e econômico que influencia a busca por matérias-primas. Entre os fatores citados estão a transição energética, as mudanças climáticas, conflitos internacionais e a disputa por cadeias estratégicas de fornecimento.














