Esse resultado representa o maior da série histórica e uma alta de 9,8% em relação ao 1º semestre de 2025 (R$ 329,6 bilhões). As debêntures continuam sendo o principal instrumento de captação, com R$ 169,8 bilhões no período. Mas, historicamente, o segundo semestre gera mais emissões do que o primeiro. No ano passado, o mercado de capitais (MC) registrou R$ 839 bi em emissões.
Em relação aos títulos de securitização (CRA, CRI e FIDC), o mercado manteve ritmo forte e fechou o 1º semestre de 2026 com R$ 80,3 bilhões. Entre eles, os FIDCs lideraram, com R$ 53 bilhões em 559 operações, seguidos pelos CRIs (R$ 20,2 bilhões) e pelos CRAs (R$ 7,1 bilhões).
Esse cenário reforça a securitização como caminho cada vez mais relevante para o financiamento corporativo fora do sistema bancário tradicional no Brasil.

Construir uma fábrica, ampliar uma rodovia, instalar uma linha de transmissão ou expandir uma empresa exige acesso a capital. Durante décadas, grande parte do financiamento de longo prazo no Brasil esteve concentrada em linhas de crédito bancárias e em instituições de fomento. Hoje, porém, o mercado de capitais responde por quase um terço do crédito
O crescimento de modalidades como Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), Debêntures, Notas Comerciais, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) e Fundos Imobiliários ampliou o leque de alternativas para empresas e investidores. As notas comerciais chegaram a um número de operações inédito para o primeiro semestre, considerando a série histórica, somando 123 operações, 43% maior na comparação com 2025, mas com recuo de 11,4% no valor captado nas ofertas.
A evolução também começa a ampliar o acesso ao mercado de capitais por empresas de médio porte. Modalidades de oferta públicas direcionadas a este grupo de empresas, com menor custo regulatório, permitem a maior democratização do MC. Os benefícios sentidos por essas empresas no longo prazo vão de menores custo de captação a vantagens tributárias relevantes. A tendência é de ampliação gradual do acesso, impulsionada pelo amadurecimento do mercado, avanço das plataformas e maior liquidez dos ativos. “O próximo ciclo de crescimento dependerá da capacidade de reduzir barreiras de acesso, preservando transparência, segurança e qualidade das operações”, afirmou Erika Lacreta, gerente de Mercado de Capitais da Anbima.

Maicon Farina, Sócio-Diretor da Lure Capital, Vice-presidente da Câmara Setorial de Governança Corporativa da ACIEG e Conselheiro Fiscal do Sicoob Unicidades.














