Tem uma coisa acontecendo com as marcas brasileiras que quase ninguém percebe. Estão ficando iguais. Não parecidas. Iguais.
A mesma linguagem nos sites. A mesma paleta de cores e A mesma fotografia nas redes. As mesmas frases nos manifestos. “Inovação com propósito.” “Pessoas no centro.” “Excelência que transforma.” “Evoluir sempre”. Se trocar o logo, ninguém nota a diferença.
Isso não é problema ou questão puramente estética. É um problema estratégico. E tem um custo real.
Pesquisas recentes sobre como sistemas de inteligência artificial recomendam marcas mostram algo que deveria tirar o sono de qualquer fundador: quando uma marca soa igual às outras – a mesma linguagem, o mesmo tom, a mesma promessa – ela é simplesmente ignorada. Invisível. Não importa quanto dinheiro você gasta em mídia. Se o conteúdo que sai da sua empresa poderia ter sido escrito pelo seu concorrente, existe um imposto invisível que você está pagando todos os dias sem perceber.
E a tendência é piorar, porque a inteligência artificial vai igualar as ferramentas. Vai igualar a velocidade. Vai igualar a capacidade de produzir conteúdo, atender cliente, ajustar preço. Tudo o que pode ser automatizado será automatizado. E, quando isso acontecer – e já está acontecendo – o que diferencia uma empresa da outra?
Com certeza não será ou é tecnologia. É significado.
Estudos de neurociência comportamental mostram que o cérebro humano leva menos de um segundo para decidir se algo é confiável ou não. E que essa decisão é baseada em familiaridade. Se parece com o que eu já conheço, confio rápido. Se é genérico demais, nem registro. Se é distintivo, paro e presto atenção.
O paradoxo: a maioria das empresas busca parecer profissional, mas “profissional” virou sinônimo de genérico. Buscam se encaixar no padrão do setor em vez de criar o próprio. E encaixar é confortável. Mas confortável, no mundo que está se desenhando, é o caminho mais curto para a irrelevância.
Trabalho com marcas há quinze anos. Os fundadores mais travados que conheço não são os que têm menos recurso. São os que nunca pararam pra decidir quem são. Cresceram no ritmo do mercado, contrataram, estruturaram e faturaram, mas a pergunta fundamental ficou no rascunho: o que essa empresa é, e o que ela deliberadamente não é?
Essa decisão não se terceiriza. Não se resolve com rebranding. E definitivamente não se automatiza.
É importante olharmos para todas essas transformações do mundo e agir, entendendo o que isso exige de quem toma decisão. Uma certeza que tenho: não é um tema sobre tendências. É sobre as perguntas que estão ficando caras demais pra continuar sem resposta.

Ciro Ribeiro Rocha,
fundador da Enredo Brand Innovation














