No ambiente corporativo atual, no qual decisões são rápidas e a pressão por resultado é constante, a comunicação deixou de ser uma habilidade complementar. Tornou-se uma condição essencial para o sucesso. Executivos que se comunicam com clareza, segurança e intenção estratégica não apenas conduzem melhor as suas equipes, mas ampliam de forma consistente suas oportunidades de crescimento.
Estudos publicados pela Harvard Business Publishing indicam que, mesmo em um cenário de alta automação e inteligência artificial, a capacidade de comunicação permanece entre as competências mais valorizadas na formação de líderes. Em levantamentos globais, a clareza na comunicação aparece associada à maior influência interna, melhor desempenho de equipes e maior probabilidade de ascensão profissional.
Pesquisas do MIT Sloan School of Management reforçam que líderes capazes de estruturar narrativas estratégicas e engajar pessoas por meio da comunicação geram maior alinhamento organizacional e melhores resultados. Comunicação, nesse contexto, é ferramenta de execução estratégica.
A prática empresarial confirma esses achados. Grande parte dos problemas em projetos corporativos nasce de falhas de entendimento, ruídos de interpretação e ausência de alinhamento. Em contrapartida, executivos com domínio comunicacional mobilizam pessoas com mais eficiência, reduzem conflitos improdutivos e constroem ambientes de confiança.
Comunicação executiva estratégica vai muito além de falar bem. Envolve linguagem verbal clara e objetiva, mas também linguagem corporal coerente, postura, controle de gestos, contato visual, entonação adequada, domínio do ritmo e uso consciente de pausas. Inclui ainda a dimensão visual, organização lógica das ideias, construção de apresentações impactantes e capacidade de transformar dados complexos em mensagens simples e memoráveis.
No Brasil, essa evolução já é visível. Seguindo uma tendência amplamente consolidada na América do Norte, instituições de ensino e centros de formação executiva vêm incorporando a comunicação como eixo estruturante do desenvolvimento de líderes. A Fundação Armando Alvares Penteado e a FGV têm integrado metodologias específicas voltadas ao aprimoramento comunicacional em seus programas.
Entre essas abordagens, destaca-se o teatro aplicado ao contexto corporativo. O teatro para executivos não tem finalidade artística. Seu objetivo é desenvolver competências críticas para a liderança contemporânea. Trabalha presença executiva, consciência corporal, controle emocional sob pressão, escuta ativa, leitura de ambiente, improvisação estratégica, adaptação de linguagem conforme o público e construção de mensagens com maior poder de conexão.
Ao participar dessas experiências, o executivo amplia sua naturalidade ao falar em público, ganha segurança em negociações, conduz reuniões com maior precisão e fortalece sua capacidade de inspirar equipes. Aprende a alinhar conteúdo e forma, estratégia e narrativa, intenção e expressão. Esse alinhamento é o que sustenta a credibilidade.
Como executivo, sei o quanto a comunicação contribuiu diretamente para o meu próprio crescimento profissional. Muitas das oportunidades que vivi não nasceram apenas da competência técnica, mas da capacidade de transmitir visão, gerar confiança e conectar pessoas em torno de objetivos claros.
Hoje, sendo pai de uma jovem que estuda teatro, observo diariamente essa evolução desde a adolescência. Vejo, na prática, como a comunicação corporal se desenvolve, como a linguagem falada ganha segurança e como a presença se fortalece. Minha filha me ensina todos os dias que comunicação não é apenas ferramenta profissional. É instrumento de construção humana. Fica evidente que, no mundo atual, comunicar-se bem talvez seja o maior diferencial de um profissional e também de uma pessoa.
A liderança contemporânea exige mais do que conhecimento técnico. Exige clareza, coerência e capacidade de gerar entendimento compartilhado. Entre a oratória e a influência, existe uma competência que redefine carreiras, organizações e relações humanas. Essa competência é a comunicação estratégica.

Fabiano Pedrassani,
mestre em Finanças e Administração, Engenheiro, com especialização em Estratégia e Economia Internacional e diretor-geral do Grupo Osten,














