Pergunta do Cláudio Macedo, CFO na Cifarma Farmacêutica, para a Coluna Conselho. Confira a baixo a resposta da colunista Pollyana Oliveira Guimarães.
Para evitar que o conselho de administração ou consultivo seja apenas simbólico e garantir que ele contribua efetivamente para um processo sucessório bem-sucedido, é necessário adotar uma série de práticas de governança que promovam sua atuação ativa e estratégica. O conselho desempenha um papel fundamental na orientação do futuro da empresa e deve ser visto como uma instância decisória, com responsabilidade e competência para influenciar as grandes escolhas, incluindo o processo sucessório.
Primeiramente, é essencial selecionar membros qualificados e independentes. O conselho deve ser composto por pessoas com experiência relevante, tanto no setor de atuação da empresa quanto em gestão de governança. Isso inclui a incorporação de conselheiros independentes, que tragam uma visão externa, imparcial e profissional, além de experts em gestão de sucessão e aspectos legais. A presença de membros com uma visão estratégica e uma postura ética forte, é crucial para garantir que o conselho seja efetivo e não apenas uma formalidade.
Além disso, a definição clara de papeis e responsabilidades dentro do conselho é crucial. Todos os membros devem ter uma compreensão clara de suas atribuições e do papel estratégico que desempenham, principalmente no contexto do processo sucessório. O conselho deve ser responsável, não apenas por aprovar decisões operacionais, mas também por alinhar o planejamento sucessório com as necessidades futuras da empresa, assegurando que o sucessor esteja bem preparado (a) para enfrentar os desafios do cargo.
Para garantir que o conselho não seja simbólico, também é necessário que ele se encontre regularmente e tenha acesso a informações claras e transparentes sobre o desempenho da empresa e o andamento do processo sucessório. A falta de informações relevantes pode levar a uma tomada de decisão deficiente e tornar o conselho ineficaz. Portanto, relatórios detalhados e atualizações frequentes sobre a evolução do processo de sucessão são fundamentais para manter os membros do conselho informados e capazes de fazer contribuições construtivas.
Outro ponto importante é o comprometimento e engajamento contínuos dos membros do conselho. O conselho não deve ser um grupo passivo, e sim uma instância ativa no processo de sucessão, trabalhando lado a lado com a família e a liderança executiva. Isso inclui a realização de sessões de planejamento estratégico, nas quais o conselho pode discutir e sugerir candidatos para a sucessão, avaliar sua preparação e garantir que o sucessor possua as qualidades necessárias para garantir a continuidade do negócio.
Por fim, é importante instituir um processo de avaliação de desempenho do conselho que inclua a análise da efetividade de sua contribuição no processo sucessório. Isso pode ser feito por meio de feedback contínuo, com o objetivo de aprimorar sua atuação e assegurar que ele não se torne um órgão meramente formal.
Com essas práticas em vigor, o conselho de administração ou consultivo pode desempenhar um papel vital na orientação estratégica da empresa e no sucesso do processo sucessório, evitando ser apenas simbólico e, de fato, contribuindo para a continuidade e o crescimento da organização.

Pollyana Oliveira Guimarães
Sócia da Consilium, Conselheira Consultiva em empresas familiares e Startup, Mentora de Líderes e Professora de MBA em cursos de liderança.