Toda eleição é um momento fundante da democracia. É quando o povo — titular originário do poder político — decide a quem delegar o exercício desse poder. No entanto, o que se observa, com crescente preocupação, é que muitas dessas escolhas têm sido feitas à margem de qualquer avaliação criteriosa sobre a capacidade dos candidatos de exercer, com responsabilidade e preparo, os cargos para os quais se postulam.
Isso vale tanto para os mandatos legislativos — vereadores, deputados estaduais, federais e senadores — quanto para os cargos do Poder Executivo: prefeitos, governadores e o próprio Presidente da República. Em todos esses casos, eleger mal é um erro cujas consequências são suportadas por toda a sociedade.
A paixão política tem o seu lugar. Ela mobiliza, engaja, desperta o interesse cívico. Mas, quando se converte no único critério de escolha, torna-se um perigo. O eleitor que vota apenas por identificação emocional — sem examinar o histórico, a formação, o programa e a idoneidade do candidato — abre mão de seu papel de agente racional da democracia para se tornar instrumento de interesses que nem sempre são os seus.
A Constituição Federal de 1988 consagrou a soberania popular como um dos pilares do Estado Democrático de Direito. O voto é o principal instrumento dessa soberania. Mas soberania responsável pressupõe cidadão informado. Não basta votar: é preciso saber em quem se vota e por quê.
A participação popular nas eleições não se resume ao ato de comparecer às urnas. Ela começa antes — no acompanhamento do debate público, na análise dos programas de governo, na verificação das propostas legislativas, na avaliação da trajetória de cada candidato. Uma democracia saudável exige eleitores ativos, não apenas presentes.
Os representantes eleitos tomam decisões que afetam a vida de todos: definem orçamentos, aprovam leis, fiscalizam a administração pública, escolhem titulares de cargos estratégicos. Um legislador despreparado aprova leis ruins. Um gestor incompetente desperdiça recursos públicos. Um mandato mal exercido não é apenas um problema político — é um dano concreto à população.
É tempo de a sociedade brasileira assumir, com maturidade, a responsabilidade que lhe cabe nesse processo. Escolher bem os representantes não é um favor que o eleitor faz à política — é uma obrigação que ele tem consigo mesmo, com sua família, com sua cidade e com as gerações que virão. O voto consciente é o mais poderoso ato de cidadania.
Nas próximas eleições, antes de decidir o seu voto, pergunte-se: este candidato tem preparo para o cargo? Tem história pública compatível com a função? Suas propostas são viáveis e atendem ao interesse coletivo? A resposta a essas perguntas vale mais do que qualquer paixão passageira.

Juscimar Ribeiro,
Advogado especialista em Direito Administrativo e Direito Constitucional














