Goiânia recebe, desde 6 de maio até 6 de julho, a exposição Expressões, dedicada a obras de Siron Franco. Em cartaz na Vila Cultural Cora Coralina, a mostra reúne mais de cem trabalhos produzidos entre as décadas de 1960 e 1980 – período decisivo na formação estética e política do artista.
Com forte carga expressionista, as obras evidenciam o olhar crítico de Siron sobre o contexto social brasileiro, traduzindo em imagens o desconforto diante de temas como repressão, desigualdade e violência. O recorte curatorial privilegia trabalhos que dialogam com episódios marcantes da história recente, como a ditadura militar e o acidente com o césio-137 em Goiânia, cuja abordagem expositiva inclui um ambiente imersivo que remete à cápsula do material radiológico.
Outro destaque é a instalação dedicada ao feminicídio, composta por dezenas de Madonas produzidas pelo artista nos anos 1970 e 1980, em uma reflexão potente sobre violência de gênero e religiosidade. As obras apresentadas pertencem a uma fase em que Siron, ainda jovem, começa a ganhar projeção nacional e internacional.
A exposição se estrutura a partir da arte como ferramenta de leitura e intervenção no mundo, colocando em diálogo questões universais como fome, desigualdade e resistência cultural. O percurso inclui ainda a instalação Fome, do artista e curador Aguinaldo Coelho.
Idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim destaca a força simbólica do conjunto apresentado. “Siron Franco não pinta apenas quadros, ele realiza verdadeiras biópsias do tecido social brasileiro. ‘Expressões’ reúne o trauma da ditadura, o luto radioativo do césio-137, as tensões do sincretismo religioso e a persistência da desigualdade contemporânea”, afirma.
Para o artista, a exposição propõe uma experiência formativa e provocadora. “A ideia é estimular reflexões sobre acontecimentos históricos que ainda reverberam na sociedade. É uma oportunidade de aproximar o público de obras que dialogam com a cultura, a identidade e a história goiana e brasileira”, diz Siron.














