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Perfil: Ricardo Rodrigues

“As entidades classistas é que marcam posição. Para agradar eleitores, os políticos impõem algo e nos colocam para pagar. Empresário, sozinho, não consegue fazer nada. Temos representatividade para propor leis e negociar com o poder público. Somos a voz da nossa classe e defendemos os nossos interesses”

Leitura Estratégica por Leitura Estratégica
maio 9, 2026
em Perfil
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Perfil: Ricardo Rodrigues

Fotos: Arquivo pessoal

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Por Rafael Mesquita

O trabalho é algo que Ricardo Rodrigues valoriza desde muito cedo. Quando tinha apenas 14 anos, começou auxiliando o pai no Hotel Sol, na Rua 51 com a 52, no Centro de Goiânia. “Ainda adolescente, ajudava meu pai a trocar roupa de cama dos quartos, a servir as suítes, era office boy, fazia de tudo um pouco”, recorda. Depois, ainda atuou em uma loja de material de construção da família como vendedor e até entregador. 

Ricardo era muito jovem, mas descobriu que, trabalhando, teria o próprio dinheiro e, consequentemente, mais liberdade. Com as empresas da família, percebeu que ser um empreendedor poderia se tornar uma alternativa de vida. “Trabalhava ainda com mais vontade e vi que ser empresário seria bastante interessante”, explica.

O adolescente tinha em quem se inspirar. O pai, Roberval Rodrigues da Costa, saiu de Minas Gerais e se tornou professor do curso de Medicina Veterinária na Universidade Federal de Goiás (UFG). Conciliou a carreira de magistério com a de empresário. Em sociedade com um primo, iniciou há quase 40 anos investimentos no setor de hotéis.

Com Roberval, aprendeu a ter dedicação em tudo o que faz. “Ele me ensinou a ter responsabilidade, segurança, nunca avançar além das possibilidades e, sobretudo, a ser perfeccionista”, afirma. Ricardo acredita que a busca pela perfeição seja um dos principais ensinamentos do pai. “Sou assim também, sempre buscando errar o menos possível. Às vezes, até passo um pouco do ponto”, avalia. Atualmente, Roberval está com 83 anos de idade e é o presidente de honra da Rede Sol de Hotéis e Motéis. 

Formado em engenharia civil pela Universidade Católica de Goiás (hoje, PUC), nos primeiros anos de faculdade, Ricardo recebeu o pedido do pai para que se dedicasse exclusivamente aos estudos. “Havia acabado de me casar e meu pai, preocupado com o meu futuro profissional, me ofereceu uma mesada por três anos para que eu pudesse focar na Engenharia”, conta. 

O conselho de Roberval deu certo, e nos últimos dois anos de curso, o filho já estava atuando na obra de outro empreendimento da Rede Sol: um motel, na Vila Rosa, em Goiânia. “A partir daí, não parei mais, atuando sempre na fundação e projetos das obras do nosso grupo, na fiscalização do serviço e na parte administrativa das empresas”, explica. 

Além de Ricardo, que atualmente ocupa a função de diretor financeiro, as suas duas irmãs, Renata e Raquel, trabalham na gestão da Rede. “Chegamos ao ponto de termos sete empresas sob a nossa responsabilidade. Por isso, fui estudar finanças”, afirma. O empresário fez MBA e pós-MBA em Inteligência Empresarial e extensão em negócios. 

Atualmente, a Rede Sol tem seis empresas, quatro hotéis e dois motéis, distribuídos em Goiânia e Aparecida de Goiânia, e emprega quase cem funcionários. Se antes, com a chamada hotelaria rotativa, o público-alvo contemplava apenas casais de Goiânia e do interior de Goiás, hoje, o Grupo atende a todos os públicos, o que também inclui empresários, fazendeiros e turistas. As opções vão da hospedagem convencional, com preços populares, à executiva, voltada para quem viaja a negócios priorizando a praticidade e conforto. 

Turismo e atividade classista

Ainda jovem, no início das empresas do pai, Ricardo começou a se apaixonar pelo setor de turismo. “Percebi que hospedagens em hotéis e motéis eram bons negócios”, recorda. 

O interesse pelo segmento foi além de atuar na gestão das empresas da família. A atividade classista se tornou presente na vida de Ricardo quase por um acaso. Sempre muito focado nas próprias empresas, ele sequer pensava nessa possibilidade. 

Há oito anos, um amigo lhe pediu ajuda para unir a categoria (hotéis e motéis) em Goiás. A ideia era aproximar a classe em torno de um sindicato e ajudar na eleição de Marcelo Baiocchi na presidência da Federação do Comércio Varejista do Estado (Fecomércio). Desafio aceito e missão cumprida, Ricardo estava decidido a retornar para a gestão dos próprios negócios. Até que recebe um convite, quase uma convocação, de Baiocchi. “Ele me chamou para integrar a direção do Sindicato das Empresas de Turismo do Estado de Goiás (Sindtur)”, conta.

Ricardo pensou em recusar, mas acabou aceitando o desafio e, em junho de 2018, tornou-se vice-presidente da entidade. Apenas quatro meses depois, com a saída do presidente, ele passou a ocupar o cargo máximo do Sindicato. 

Atualmente, o empresário já está no terceiro mandato à frente do Sindtur. A entidade tem 320 associados e representa empresas principalmente dos setores de hospedagens, bares e restaurantes. “Quando assumi, não havia associados, o sindicato devia mais de 300 mil reais e o CNPJ estava inoperante”, explica. 

Ainda se tornou presidente do conselho empresarial do turismo da Fecomércio, que representa 33 entidades do setor no Estado, o chamado trade turístico. “As entidades classistas é que marcam posição. Para agradar eleitores, os políticos impõem algo e nos colocam para pagar. Empresário, sozinho, não consegue fazer nada. Temos representatividade para propor leis e negociar com o poder público. Somos a voz da nossa classe e defendemos os nossos interesses” , acredita. 

Para ele, são três as premissas básicas que atraem o turista: infraestrutura, segurança e hospitalidade. “Se falhar um desses três, o turista não retorna”, afirma.

Nesse sentido, Ricardo avalia que, com exceção da hospitalidade, Goiás ainda pode evoluir. “É preciso melhorar a nossa infraestrutura, não só de hotéis, mas também de sinalização, limpeza, e qualificação de profissionais. Quanto à segurança, não se pode restringir apenas ao policiamento, é preciso pensar em um trânsito que gere menos riscos de o pedestre ser atropelado, rodovias que não provoquem acidentes”, afirma.

Sobre a estrutura da rede hoteleira em Goiânia, Ricardo admite que é preciso modernizar. “Durante a MotoGP, a falta de hotéis novos foi uma reclamação. A rede de hospedagem na capital é antiga”, avalia. Segundo o empresário, a explicação para a falta de investimentos em reformas e em novos empreendimentos tem uma razão econômica. “Como vamos antender a essa demanda com os juros altos e a elevada carga tributária que temos no País? Nessa situação, o empresário tem outras prioridades para sobreviver”, defende.

Mesmo assim, vê boas possibilidades para crescimento do turismo em Goiânia. “Hoje, temos grandes eventos, como o Goiás Gastronomia, a Pecuária de Goiânia, os shows , a MotoGP, as apresentações gospel. Isso é fundamental para fomentar o setor e manter a cidade cheia”, avalia. Além disso, o empresário destaca que a capital é referência em saúde e tem uma boa qualidade de vida. 

A visão mais ampla do segmento, Ricardo acredita que conquistou com a convivência com o presidente da Fecomércio. “Ele transformou a minha vida. Antes, eu estava voltado apenas à minha empresa e não conhecia esse mundo. Me achava um grande gestor, mas, quando entrei no universo sindical, vi que era apenas um dente de leite perto deles”, admite. 

Ainda sobre Marcelo Baiocchi, mais elogios e reconhecimento. “Mudou a federação e nos deu capacidade pra mostrar o nosso trabalho. Ajudou o sindicato financeiramente. Só me fez crescer, é um espelho para mim e para a minha empresa. Ele me deu carta branca e disse que eu seria o responsável por representar o turismo no Estado”, afirma. 

Família, negócios e viagens

O presidente do Sinditur é casado há 32 anos com Mylla Alves. O casal era bem jovem quando decidiu pelo matrimônio, ela tinha apenas 19 anos e ele somente 18. Da união, vieram dois filhos, o mais velho, Lucas, e a caçula, Leonora. Os dois são proprietários, com o pai e um outro sócio, de uma empresa de monitoramento de gases e poeiras tóxicas e explosivas em indústrias, a Enesens Goiás. 

Uma das paixões de Ricardo Rodrigues é viajar com a família. Já conheceu mais de 30 países. Geralmente, vai a lazer, mas aproveita para conhecer melhor o segmento de hospedagem e turismo em outros lugares e tentar trazer novidades. “Costumo escolher locais estratégicos nas cidades próximas aos pontos turísticos, primordialmente ficando em excelentes hotéis, conhecendo bons restaurantes, ou seja, investindo alto para ter as melhores experiências possíveis da cidade ou local que escolho para visitar”, destaca. 

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