Por Rafael Mesquita
Metade brasileiro, metade japonês. Assim se define Leonardo Massuda, 37 anos, sócio da FESA Group, considerada uma das maiores empresas de contratação de executivos para companhias. “Sou brasi leiro, nasci em Goiânia, mas carrego comigo minha família japonesa.” Neto de japoneses, tanto pelo lado paterno quanto materno, ele lembra que, desde a juventude, vive intensamente a cultura nipo-brasileira. “Quando eu morava com os meus pais, lá em casa tinha o churrasco, mas o arroz era o japonês”, lembra.
Por se sentir parte das duas culturas desde a infância, Leonardo nunca teve dificuldades em fazer amizades. “Meu avô foi presidente da Associação Nipo-Brasileira em Goiás (Leonardo também comandou a entidade entre 2023 e 2024) e sempre fui incentivado a estar na comunidade. Junto com outros amigos descendentes de japoneses, jogava gateball (esporte criado no Japão) e participava do grupo de taiko (instrumento milenar japonês).” Em compensação, na escola não havia preconceito; sempre o viam com curiosidade. “As pessoas se aproximavam com admiração e queriam saber como eram as tradições do país dos meus avós”, recorda.
Segundo ele, a cultura japonesa tem um senso coletivo maior do que a de outros países. “Antes da pandemia, já havia o costume de usar máscara para não transmitir vírus para outras pessoas. É um olhar de respeito, de não invadir o espaço do outro”, acredita.
A facilidade de se relacionar com os dois mundos o ajudou até mesmo profissionalmente. Formado em Publicidade e Propaganda, ainda na faculdade um colega o chamou para integrar a Câmara Americana de Comércio (Amcham), aos 19 anos. O contato com o mundo empresarial resultou em um convite, em 2014, para fundar o escritório da FESA Group em Goiânia. “O sucesso da nossa empresa em Goiás acontece por entendermos e respeitarmos a história das companhias no Estado, muitas delas com forte presença de famílias que as construíram”, avalia.
Nas horas vagas, Massuda tem se dedicado a viagens a países asiáticos. Já foi à Indonésia, Coreia do Sul, Vietnã e Filipinas. “Tinha muita curiosidade de conhecer locais com diferenças culturais tão grandes do Brasil. Ao mesmo tempo, é algo que me conecta com as minhas raízes japonesas”, afirma.

No Japão, esteve duas vezes. Em uma delas, foi convidado pelo governo do país a representar a comunidade japonesa no Brasil em um encontro com o príncipe Akishino. “Não teve formalidade na conversa, isso me chamou muita atenção. Mostrei o trabalho que fazemos para manter as tradições aqui no Brasil”, explica.
São mais de 10 anos juntos, sendo três de casado, com a fisioterapeuta Rosana Santos de Oliveira. Apesar de não ser descendente de japoneses, ela está totalmente inserida na comunidade nipônica por causa do marido. “Muitas vezes, é ela quem me pede para irmos a um restaurante japonês ou ao Kaikan (clube japonês em Goiânia). É minha companheira de viagens, esportes e de vida”, diz.
“O sucesso da nossa empresa em Goiás acontece por entendermos e respeitarmos a história das companhias no Estado, muitas delas com forte presença de famílias que as construíram”