Como alguém que atua há muitos anos em finanças, estratégia e governança, afirmo com convicção que a inteligência artificial deixou de ser um tema de inovação periférica para se tornar uma das mais relevantes alavancas estratégicas à disposição dos conselhos de administração e consultivos. Não estamos diante de uma tendência futura, mas de uma infraestrutura decisória que já redefine competitividade, eficiência e geração de valor.
A inteligência artificial hoje atravessa toda a cadeia decisória da empresa. Da análise de mercado à precificação, da gestão de riscos à alocação de capital, do planejamento estratégico ao acompanhamento de indicadores operacionais, sua capacidade de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e projetar cenários eleva o nível de precisão das decisões. Conselhos que compreendem essa dinâmica ampliam sua capacidade de antecipação e reduzem assimetrias informacionais.
Relatórios de organismos internacionais como a OCDE e o Banco Mundial demonstram que a aplicação estruturada de tecnologias inteligentes gera ganhos consistentes em produtividade, qualidade analítica e eficiência operacional. No contexto corporativo, isso se traduz em melhor modelagem financeira, análises preditivas mais robustas, monitoramento contínuo de riscos e maior agilidade na leitura de tendências de mercado.
A inteligência artificial também fortalece a governança. Sistemas inteligentes permitem auditorias mais eficazes, identificação de desvios com maior rapidez e acompanhamento em tempo real de indicadores estratégicos. Em um ambiente regulatório cada vez mais complexo e em mercados voláteis, a capacidade de transformar dados em informação qualificada tornou-se um diferencial competitivo.
Para os conselhos, a discussão já não deve ser se a empresa utilizará inteligência artificial, mas como ela será integrada de forma ética, segura e alinhada à estratégia de longo prazo. A tecnologia, por si só, não substitui o julgamento humano. Ela amplia a capacidade de análise, desafia pressupostos e oferece múltiplos cenários para avaliação. A decisão final continua sendo humana, mas passa a ser mais informada, estruturada e consciente.
Empresas que incorporam inteligência artificial à sua arquitetura estratégica criam uma cultura orientada por dados, fortalecem a disciplina de execução e ampliam sua capacidade de inovação. Trata-se de uma ferramenta que impacta diretamente valuation, sustentabilidade do negócio e perenidade institucional.
A revolução tecnológica em curso exige dos conselhos postura ativa. Entender, supervisionar e estimular o uso responsável da inteligência artificial tornou-se parte do dever fiduciário de quem responde pela direção estratégica das organizações.

Fabiano Pedrassani,
mestre em Finanças e Administração, Engenheiro, com especialização em Estratégia e Economia Internacional.














