Por Ciro Ribeiro Rocha
A nova economia transformou a realidade das empresas, criando um novo fenômeno na categoria das marcas.
Elas não querem palco, mas comandam o espetáculo. Estão por trás do crescimento de negócios, da inovação das startups e da digitalização do varejo. Não vendem para você, mas, sem elas, ninguém vende nada.
Em tempos de marcas que fazem dancinha no TikTok e slogans que viram trend, há um outro movimento acontecendo, mais silencioso, mais estratégico e igualmente transformador. É o crescimento das marcas invisíveis: empresas B2B que constroem valor nos bastidores da nova economia. Não buscam atenção. Buscam impacto.
A nova elite das marcas não está no ponto de venda. Está no ponto de virada. São marcas que não buscam like, buscam construir um legado. Marcas que não buscam viralizar. Querem viabilizar.
Elas criam infraestrutura, dados, soluções. São as engrenagens por trás da operação de outras marcas. E isso muda completamente a lógica do branding contemporâneo: não é mais só sobre ser lembrado: é sobre ser indispensável.
Tive o privilégio de conduzir a construção da estratégia de uma delas, a Magalu Cloud. Um exemplo claro dessa virada. Lançada em 2024 (e considerada o mais ambicioso movimento de tecnologia nacional) ela nasceu como braço B2B do Magazine Luiza, mas é muito mais do que uma aposta em tecnologia: é um reposicionamento estratégico. Ao oferecer soluções em nuvem, infraestrutura digital e serviços sob medida para empresas, a Magalu mostra que entende o futuro e quer operá-lo, não só comunicá-lo.
Enquanto a marca Magalu conversa com milhões de consumidores, a Magalu Cloud conversa com quem constrói o sistema. E essa conversa é cada vez mais relevante. Não é à toa que marcas B2B ganham espaço nos discursos de inovação, nos investimentos e nas pautas estratégicas de grandes empresas.
Ser invisível, hoje, pode ser o novo poder, desde que você entenda exatamente com quem conversar e como conversar. Num mercado saturado de vozes, há força em quem escolhe ser base, e não vitrine. As marcas do futuro talvez não sejam as que mais aparecem — mas, certamente, serão as que fazem os outros aparecerem melhor.
E nesse novo jogo, marca boa não é a que grita mais alto. É a que sustenta tudo em coerência – e silêncio.

Ciro Ribeiro Rocha,
fundador da Enredo Brand Innovation.