Ano 14 – 1969 OCB nacional entra em cena
Por Leandro Resende
O ano de 1969 reescreve a história do cooperativismo no Brasil. Já praticamente no fechamento de uma década desafiante para o setor, no dia 2 de dezembro daquele ano, em Brasília, representantes de cooperativas e entidades estaduais de todo o País reuniram-se para fundar a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
Após mais de uma década em que viveu sob o estigma de fragmentado, com Unasco, Abcoop e outras entidades disputando a representação nacional, o setor cooperativista brasileiro se integra nacionalmente. A OCB nasceu para ser a voz de todos, a voz única. A articulação política passou, engenhosamente negociada, pela bênção do regime militar, que acreditava que a centralização do cooperativismo seria um instrumento de reorganização do setor rural.
Mas é engano considerar a criação da OCB como um ato espontâneo. Não foi. Era a conclusão de um processo que o próprio Estado havia induzido desde o Decreto-Lei nº 59, de 1966, e que o Conselho Nacional do Cooperativismo vinha conduzindo nos bastidores. Em três anos, as novas leis e lideranças conseguiram fazer a interlocução com o governo e demonstrar que o cooperativismo precisava, além de garantir crédito, uma legislação favorável e reconhecimento institucional. A fundação da OCB fecha este ciclo de convencimento e negociações em prol das cooperativas, diante de um Estado pragmático e desconfiado, no começo, mas convencido, gradativamente, dos ganhos para o País no incentivo ao cooperativismo, como o combate à inflação, a geração de emprego no campo e o combate a distorções sociais e econômicas.
Em Goiás, a União das Cooperativas do Estado de Goiás (UCEG) – que originou a OCB/GO – acompanhava esse movimento com interesse direto. A UCEG era, ela mesma, um modelo estadual do que a OCB pretendia ser no plano nacional: uma entidade de representação única, que falava por todas as cooperativas do Estado perante o poder público. E assim foi, tendo a UCEG participado da fundação da OCB com delegados e signatários no movimento definitivo de nascimento da nova entidade nacional do setor, em Brasília.

O cooperativismo goiano de 1969 refletia as contradições do próprio Estado. Após um período recessivo, entre 1965 e 1967, Goiás crescia, pois a construção de Brasília havia acelerado a urbanização do entorno e a demanda por alimentos pressionava a produção do Cerrado. As cooperativas agropecuárias filiadas à UCEG operavam num ambiente de maior exigência técnica e comercial, mas ainda carentes de infraestrutura: armazéns, transporte e assistência técnica de campo.
Odorico Nery, que conduzia a entidade desde dezembro de 1966, sabia que o surgimento da OCB mudava o jogo. A partir daquele momento, a UCEG não seria apenas a voz das cooperativas goianas perante o governo estadual, mas também a representante de Goiás dentro de uma estrutura nacional com poder, recursos e interlocução direta com Brasília. Era uma responsabilidade nova, e o momento exigia posicionamento.
O ano de 1969 fechava, assim, o ciclo que havia começado com a fundação da UCEG, em outubro de 1956. Treze anos depois, o cooperativismo goiano tinha diante de si uma estrutura nacional consolidada, uma regulação própria e um horizonte que, pela primeira vez naquele cenário de turbulências, apontava para o crescimento.
O cooperativismo no Cerrado Goiano, que os pioneiros de 1956 enxergavam como uma promessa, começava a se confirmar como um motor de desenvolvimento e redução de desigualdades. A década seguinte provaria, com números e novas cooperativas acelerando, a transformação da cultura cooperativista no Estado. Mas isso é história para os próximos capítulos.














