Por Artur Narciso
A trajetória de seis décadas de Siron Franco ganha um novo capítulo com o lançamento da monografia “Pensamento Insubordinado”. Realizado pelo Instituto TeArt em parceria com o Sesc Goiás, o volume, de 300 páginas, documenta a produção de um dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira, desde o impacto do acidente com o Césio-137 até as crônicas políticas atuais. Além de um registro histórico, o lançamento em Goiânia serve de palco para Siron reforçar a sua visão sobre o ecossistema cultural do estado.
Para o artista, o futuro da produção goiana depende diretamente da ocupação de espaços e do estímulo aos jovens talentos que emergem, especialmente das periferias. Siron destaca que o estado é um celeiro produtivo, mas que precisa de estruturas que incentivem o olhar crítico desde a infância. “A periferia gera uma arte que é outra coisa, falando da vida deles. Temos que ter mais salas que tragam as crianças, para despertar nelas o que foi despertado em mim aos nove anos, quando vi arte pela primeira vez”, afirma.
Um dos pontos centrais da análise de Siron é o papel estratégico do Sesc frente às lacunas do poder público. O artista é enfático ao classificar a instituição como o principal motor de fomento no cenário atual.
“Acho o Sesc fundamental. Eles estão à frente de uma coisa que deveria ser obrigação do governo. Fazem um papel maravilhoso”, pontua.
Essa presença institucional é o que permite, segundo ele, que o artista consiga focar na criação enquanto a estrutura de difusão e memória é garantida. O apoio à monografia e à exposição “Expressões” exemplifica essa dinâmica de fortalecer a identidade local enquanto se projeta o artista para o mundo.

Apesar do otimismo com a nova geração, Siron aponta que o mercado consumidor de Goiânia ainda é limitado, o que exige que o jovem artista busque projeção em centros como São Paulo e Nova York. Para ele, esse movimento não é apenas comercial, mas formativo. “Aonde eu vou, estou bebendo na paisagem e na história. É nesse espaço que nasce você, que o espectador olha e reconhece a sua identidade”, explica.
A monografia, organizada pelo espanhol Ángel Calvo Ulloa, reflete justamente esse trânsito global da obra de Siron, unindo ensaios biográficos e críticas internacionais. Ao mesmo tempo, a obra reafirma o compromisso do Sistema Fecomércio Sesc Senac com a vivência goiana.
Segundo Marcelo Baiocchi, presidente da Fecomércio-GO, e Leopoldo Veiga Jardim, presidente do Sesc-Senac em Goiás, apoiar a inquietude social de Siron é uma necessidade urgente para valorizar uma cultura que não apenas comunica, mas questiona a realidade brasileira.
O público interessado em conferir de perto o legado do artista pode visitar a mostra “Expressões”, que reúne cem obras produzidas entre as décadas de 1970 e 1980. A exposição segue em cartaz na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, até o dia 6 de julho, com entrada gratuita.














