A recorrência da captação de recursos onerosos (crédito) para as atividades operacionais nas empresas é muito comum e ajuda no crescimento. Mas quando o capital tomado para a operação é direcionado para investir em ativos sem a percepção clara do gestor, isso pode ser um grande abacaxi.
Na perspectiva do mercado financeiro, dinheiro emprestado para investir em CAPEX (como ampliação de fábrica, renovação de frota, implantação de software, compra de imóvel, reforma de UNs, etc) tem taxas mais baratas e prazos longos. Isso acontece pois o payback daquele valor investido tende a ser maior e a duração do uso daquele ativo, assim como seu retorno financeiro, também será grande. Acontece que algumas empresas acabam usando o recurso captado para OPEX no investimento em ativos.
Recursos destinados a operação da companhia, também conhecidos como OPEX, tem prazos curtos, pois, para pagar fornecedor ou financiar cliente, o prazo habitualmente negociado não passa de 1 ano (na maioria das vezes menos do que isso a depender do segmento) e taxas são mais caras, pois a margem conquistada na operação da companhia deve ser significativamente maior do que os juros pagos.
No entanto, quando o empresário usa o crédito captado para OPEX em CAPEX, ele entra numa bola de neve da qual pode não conseguir sair. O primeiro problema é que o prazo de retorno do investimento naquele ativo provavelmente não vai ser tão curto quanto o prazo de vencimento da operação. O segundo problema é que ele vai ter que fazer nova captação para cobrir a dívida ora em vencimento, portanto, dívida para pagar dívida. Enquanto isso, a margem daquele investimento vai sendo dissolvida pelas despesas financeiras.
O inverso também pode ser verdadeiro, embora menos comum, pois as instituições financeiras tratam CAPEX como financiamento rastreável (como garantia), portanto, o dinheiro precisa ser necessariamente usado para ativos. Mas, nos casos onde a empresa tomou capital de longo prazo para investimento e acabou usando na operação, o problema poderá ser o vício no PMT alongado usando o recurso para o curto prazo sem a ideia de que o dispêndio continuará a martelar todo mês ou, em caso de sistema de amortização único, bullet no final, quando a conta chega e explode no colo do empresário.
A melhor estratégia sempre é o conservadorismo na análise e, de preferência, com especialista em dívida. As empresas que crescem mais rápido geralmente tomam dívida, mas o importante é saber qual tipo de dívida e carimbar internamente o dinheiro, sempre monitorando o seu destino.

Maicon Farina,
Sócio-Diretor da Lure Capital, Conselheiro Fiscal do Sicoob Unicidades e Vice-presidente da Câmara Setorial de Governança Corporativa da ACIEG. Administrador pela PUC-GO, Executivo Financeiro pela FGV-SP, Estratégia pela FDC-MG e de Conselheiro de Administração pelo IBGC. Especialista em operações estruturadas de crédito e professor de Matemática Financeira.














