ANO 6 – 1961: Cooperativismo ocupa seu espaço
Leandro Resende
Os primeiros seis anos de atuação da União das Cooperativas do Estado de Goiás (UCEG), entidade que deu origem ao Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB/GO), foram de trabalho e construção intensivos, até pareciam ter se passado mais de uma década. Mas 1961 chegou dando sustentação para voos mais longos e maior expansão – era essa a grande expectativa neste início dos anos 1960.
No campo da estruturação, quando o governador Mauro Borges Teixeira toma posse no Palácio das Esmeraldas, em 1961, o cooperativismo renova o fôlego. Mauro inicia um governo estruturante e desenvolvimentista, e apresenta “instrumento raro” na política goiana da época: um plano.
E o cooperativismo está lá, no centro do projeto de Mauro Borges, como estratégia de governo. O Plano de Desenvolvimento Econômico – que ficaria conhecido na história como Plano MB – foi o primeiro esforço sistemático de planejamento do Estado.
A UCEG, que desde 1956 construía sua legitimidade tijolo a tijolo, encontra em 1961 o ambiente ideal: um Governo Estadual que tratava o cooperativismo como política pública. O Plano MB previa a criação dos Combinados Agro-Urbanos – núcleos de colonização organizados sob o modelo cooperativo, com terra, maquinário, assistência técnica e gestão coletiva da produção.

A inspiração declarada de Mauro Borges eram os kibutz israelenses: cooperativismo não como assistencialismo, mas como vetor de modernização. Os casos de Araguapaz e Fazenda Nova tornaram-se laboratórios dessa visão. Era um movimento de criação de novos centros cooperativos de produção – que atraiu forte migração para Goiás – e, por consequência, valorização do que já havia sido construído no Estado para o setor.
O mesmo Governo cria, além de várias estatais, a Efomago, uma escola de formação de operadores de máquinas agrícolas e rodoviárias, importante para formar a mão de obra para a evolução das cooperativas. Mauro Borges também institui a primeira Secretaria de Planejamento de um Estado brasileiro.
Para a UCEG, esse ambiente significava algo concreto: cooperativas rurais passam a contar com apoio institucional para organizar a produção, acessar crédito e escoar safras. A extensão rural da ACAR-Goiás – antecessora da Emater – atuava lado a lado com os produtores, incentivando a filiação cooperativa como caminho para mecanizar as lavouras de arroz e milho.


No plano nacional, 1961 era um ano de ebulição política e expansão cooperativista que caminhavam em direções opostas. O País tinha, ao final do ano, 511 cooperativas de crédito com mais de 547 mil associados. Ocorre um avanço na organização do sistema financeiro cooperativo, que dá suporte para outros segmentos do cooperativismo. Contudo, portaria do Ministério da Agricultura reafirma que cooperativas de crédito dependiam de autorização prévia do Governo para funcionar: o Estado apoiava, mas controlava.
O pano de fundo político era instável. Jânio Quadros renunciou em agosto. João Goulart assumiu sob o parlamentarismo emergencial. O Brasil entrou num ciclo de incertezas e o que viria no futuro ainda não era visível em 1961. O que se via, em Goiás, era um Estado em movimento – com um governador que planejava, cooperativas que se organizavam e uma UCEG que finalmente deixava de pedir espaço para começar a ocupá-lo.














