A República brasileira atravessa uma crise que não é setorial nem passageira — é sistêmica. Os três poderes enfrentam, simultaneamente, colapsos de credibilidade que se alimentam mutuamente, corroendo algo que democracias levam décadas para construir e Estados frágeis destroem rapidamente: a confiança institucional.
O Executivo é ocupado por um presidente eleito pela margem mais estreita da história recente, com condenações por corrupção revertidas pelo STF em decisão que boa parte da comunidade jurídica considera tecnicamente questionável. O País convive com uma presidência cuja legitimidade moral permanece disputada — e cujo capital político se gasta inteiramente na gestão dessa contestação permanente.
O STF, que deveria ser o arbitro acima das suspeitas, ocupa as manchetes por razões nada republicanas. Relações impróprias de ministros com empresários, banqueiros e segmentos políticos lançam sombra sobre a isenção do tribunal. Some-se a isso esquemas de venda de sentenças envolvendo juízes, desembargadores e magistrados de cortes superiores. Para o empresário que precisa de ambiente jurídico previsível para investir e crescer, a pergunta que paira é perturbadora: a quem pertencem, afinal, as decisões que saem desses tribunais?
O Legislativo há muito deixou de surpreender negativamente — o que já e, por si só, um diagnostico grave. Corrupção, uso indevido de recursos públicos, desvios em emendas impositivas e inchaço dos fundos eleitorais compõem um retrato que a população reconhece com fadiga, não com indignação. A fadiga é pior: é o estágio em que a sociedade para de exigir e começa a apenas suportar. O parlamento, que deveria fiscalizar o Executivo, tornou-se um balcão de negociação de interesses que não são os da maioria.
Para o setor produtivo, esse cenário tem custo concreto e diário. O Brasil cobra carga tributária compatível com países escandinavos e entrega infraestrutura precária, segurança jurídica instável e serviços públicos que envergonhariam economias muito menores. O Custo Brasil não é metáfora: é o preço que empresários e trabalhadores pagam pela ineficiência de um Estado que consome muito, distribui mal e planeja pouco.
O que está em jogo não é apenas a imagem de governantes. É a confiança — ativo intangível que move investimentos e sustenta o horizonte de longo prazo de qualquer economia. Quando o setor produtivo deixa de acreditar no Estado como parceiro confiável, retrai-se, emigra capital e passa a operar em modo de sobrevivência, não de expansão.
Crises de confiança institucional não se resolvem em um mandato. Países que atravessaram colapsos semelhantes levaram gerações para recuperar credibilidade perante o mercado e a sociedade. O Brasil dilapida em tempo real o capital de confiança que custou décadas para acumular. Quem financia esse Estado e paga essa conta, como sempre, é quem produz.

Juscimar Ribeiro,
advogado especialista em Direito Administrativo e Direito Constitucional














