Por Rafael Mesquita
Em 75 anos de história do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRCGO), ele é o primeiro presidente da entidade residente no interior do Estado. Conquista importante para os profissionais da área que atuam nos mais diversos municípios goianos. “Dá uma sensação de pertencimento para os contadores do interior, que se sentem representados”, avalia.
Mas o cargo assumido por Marcelo Cordeiro Silva, 44 anos, em janeiro deste ano é, acima de tudo, um antigo sonho do profissional e um reconhecimento dos 14 anos em que está na entidade. “Nunca escondi que gostaria de ser presidente do CRC. A ex-presidente Sucena Hummel me apoiou e fui o candidato único escolhido pelos conselheiros”, destaca.
Natural de Catalão, sudeste goiano, o presidente do CRC é filho de comerciantes da cidade. A família tem, até hoje, uma lanchonete na rodoviária do município, administrada pela mãe e irmã. Marcelo também poderia ter seguido por esse caminho, mas foi a contabilidade que o fascinou.
A inspiração foi o padrinho de batismo, José Mário. Bem jovem, aos 11 anos, começou a trabalhar como office boy no escritório de contabilidade dele. Muito curioso e interessado, aprendeu os segredos da profissão. “Buscava as notas fiscais nas empresas, mas queria entender como funcionava o departamento, como faziam o lançamento das notas. Observando e perguntando, aprendi”, recorda.
Aos 17 anos, já atuava no departamento contábil do escritório do padrinho, ajudando no fechamento da contabilidade dos clientes. Como havia trabalhado em vários departamentos, não teve dificuldades. “Ainda não tinha o registro, mas já sabia o que fazer e assumia as funções do meu padrinho na ausência dele”, explica.
Nesse período, Marcelo percebeu a necessidade de cursar uma faculdade. A vontade era fazer Ciências Contábeis, mas como em Catalão ainda não havia o curso e ele não tinha condições financeiras de se sustentar fora da cidade, fez Administração de Empresas.
A convite de uma concessionária da cidade, tornou-se o responsável pela contabilidade da empresa, o que lhe permitiu ter condições para realizar o sonho de fazer o curso de Ciências Contábeis. Formou-se em uma faculdade de Uberlândia, aos 25 anos de idade.
Era hora de montar o próprio escritório de contabilidade. Marcelo conseguiu o registro no CRC e alugou um imóvel na região central de Catalão. O ano de 2007 marcou o início da Complemento Contabilidade. “Eu já era conhecido profissionalmente na cidade e comecei o meu negócio com cerca de 20 clientes”, afirma.
As relações com outros profissionais da área fizeram Marcelo perceber o quanto havia reclamações contra o conselho da categoria. “Por isso, eu já me imaginava no CRC para tentar ajudar a resolver as dificuldades enfrentadas pelos contadores. Eu não queria ficar só reclamando, queria agir”, explica. O delegado do conselho em Catalão na época fez indicação do nome de Marcelo para sucedê-lo no cargo ao CRC.
Foram seis anos de muita luta e ações para melhorar as condições da categoria na região. “Fizemos cursos, eventos, inovações e atividades em conjunto com o Fisco e associações comerciais”, destaca. Dessa forma, as informações sobre a gestão de Marcelo chegaram de forma positiva ao CRC. Foi quando o ex-presidente da entidade em Goiás Rangel Francisco lhe convidou para integrar a chapa de conselheiros do conselho regional, que acabou vencedora das eleições.
Ao todo, foram oito anos como vice-presidente do CRCGO nas áreas de registro e desenvolvimento profissional. Era hora de alçar voos mais altos e poder implementar de fato as ideias que tinha para a categoria.


Presidência do CRC
Na última eleição para o conselho da entidade, Marcelo estava decidido que aquele seria o seu último mandato na função. A então presidente Sucena Hummel, que comandou o CRC nos últimos quatro anos, sabia do desejo dele de ocupar a presidência. “Ela percebeu o meu jeito de resolver as questões pessoalmente, olhando nos olhos das pessoas, sem deixar os problemas para depois”, acredita.
Em 6 de janeiro, Marcelo assumiu o CRCGO para o biênio 2026-2027, com o desafio de valorizar a categoria e promover o desenvolvimento profissional dos contadores de Goiás. “Quero contribuir para a capacitação da categoria. levando temas técnicos e comportamentais aos profissionais. É preciso que eles saibam das novidades da legislação, entendam sobre liderança e oratória”, destaca.
Marcelo cita as mudanças trazidas pela reforma tributaria, cuja parte das alterações serão iniciadas em 2027 e concluídas até 2033. “Os profissionais devem fazer duas apurações de impostos, e nossa preocupação é que eles estejam capacitados para atender as demandas e orientar os clientes de forma estratégica e de acordo com a lei”, explica. Para isso, a ideia é que o CRC desenvolva cursos e mentorias em todo o Estado, segmentando o tema nas mais diversas áreas: agronegócio, supermercados e farmácias.
Além disso, é preciso que o próprio contador mude a mentalidade e valorize o serviço que oferece à sociedade. “O profissional deve entender que ele é essencial e estratégico para empresas, órgãos públicos e instituições”, acredita. “Vamos plantar agora para colher essa transformação no futuro”, afirma.
O presidente do CRCGO separa a categoria em dois grupos: os que estão tendo sucesso e crescendo na profissão e os que reclamam que a contabilidade está ruim. “Cabe a cada contador escolher a qual grupo quer pertencer, aos que estão dando certo ou não profissionalmente. A classe deve se enxergar não como concorrente, mas como uma categoria que cresce junta”, avalia.



Raiz no interior
O combinado de Marcelo com a esposa Jane Helena é cumprir apenas um mandato na presidência do CRCGO, até em 31 de dezembro de 2027, e depois retornar à rotina de sempre em Catalão.
Casada há dez anos com Marcelo, Jane também é contadora e assumiu as funções de comando no escritório na ausência do marido. “Normalmente, fico dois dias por semana em Goiânia, além dos períodos em que preciso visitar outras cidades do Estado, do País e até do exterior”, conta o presidente. “Ela sabia que ia ser puxado nesses dois anos, mas deu o aval para eu assumir a presidência e me apoia muito”, afirma.
Os filhos do casal, João Marcelo, oito anos, e Maria Luísa, seis anos, são os que mais sentem a ausência. Mas, quando o pai retorna para casa, é só festa. “Eles se preparam e fazem o planejamento do nosso cardápio para o final de semana”, diverte-se
Além de contador e presidente do conselho, Marcelo é um chef de cozinha de primeira classe. Faz hambúrguer, macarrão, churrasco e tudo o que a família gosta de comer. “Quando estou disponível, eu que cozinho em casa, minha mãe que me ensinou”, orgulha-se.
A agenda cheia o faz prezar pelo que chama de “tempo de qualidade”, seja no trabalho ou no lar. “Quando estou no escritório, em Catalão, me dedico a atender os clientes da melhor forma possível. A mesma coisa é em casa, com atenção integral e disponibilidade para a família. Não adianta ter tempo e ficar só no celular ou fazendo outras atividades, não convivendo da maneira que deveria com os filhos. Valorizo muito isso”, conclui.


















