Por Rafael Mesquita
Carros importados desfilando pelas ruas, lojas de grifes internacionais em shoppings, canteiros de obras de prédios de alto padrão por toda parte, uma das maiores frotas de jatos e lanchas do país. Esse cenário, que lembra metópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, reflete a realidade do Centro-Oeste.
O público da região é exigente e cada vez mais bem informado, valorizando o atendimento e a experiência. “São pessoas que buscam peças que expressem identidade, conquistas e estilo de vida. Seja um colecionador de relógios icônicos ou alguém que busca uma joia para marcar um momento especial, nossos clientes têm em comum o desejo de exclusividade e significado”, afirma Flávio Lima, CEO da Danglar, loja que comercializa seis marcas internacionais, como Rolex e Montblanc, em Goiânia.

As vendas da empresa cresceram 50% em 2024 em relação ao ano anterior. Relógios estão entre os itens mais desejados, com listas de espera que podem ultrapassar quatro anos. Canetas de edições limitadas chegam à loja já vendidas e sequer vão para a vitrine. Os preços variam de R$ 6 mil a R$ 100 mil. “A palavra status envelheceu. Foi substituída por posicionamento”, reflete Flávio.
Em Brasília, o mercado de luxo para lanchas e jatos cresce rapidamente. No Lago Paranoá, lanchas avaliadas em até R$ 4 milhões são cada vez mais comuns. O Distrito Federal tem 42 mil embarcações registradas, ocupando a quinta posição nacional nesse quesito, mesmo estando a mais de 1.000 km do litoral. A partilha de jatos também avança, com cotas a partir de R$ 7 milhões. “O diferencial para o cliente é a personalização, ganho de tempo e agilidade, sem esperas”, explica Gilberto Scheffer, dono de uma empresa de táxi aéreo.
Em Mato Grosso, o setor de luxo também se destaca. A Breton, reconhecida pelo design de interiores sofisticado, inaugurou uma franquia em Cuiabá há quase dois anos e já figura entre as três lojas de maior desempenho da marca.
O mercado automotivo segue a mesma tendência. Em Goiânia, a concessionária Porsche, RAM House, vende de 45 a 50 carros por mês, com preços que variam de R$ 550 mil a R$ 4 milhões. “Não há um teto para os gastos. Os veículos podem ser customizados, desde a costura até as cores dos bancos”, afirma Roberto Cury, diretor da loja.
Mercado Imobiliário
Uma cobertura duplex de 730 metros quadrados com quatro suítes e vista para a Praça do Sol, em Goiânia, pode custar cerca de R$ 11 milhões. O empreendimento, Selena By Opus, é um dos mais caros da capital e reflete a expansão do setor imobiliário de alto padrão na cidade.
O Setor Marista concentra os principais empreendimentos premium da capital, com valor médio do metro quadrado em R$ 13 mil. Já o grupo Flamboyant Urbanismo, dono do shopping mais tradicional de Goiânia, lançou a Central Flamboyant Urbanismo, com projetos imobiliários de luxo que devem movimentar cerca de R$ 400 bilhões. “Alphaville Flamboyant, por exemplo, é o único de Goiás com o prêmio Grand Prix Excellence, concedido em Paris ao melhor condomínio residencial do mundo”, destaca Emmanuele Louza, CEO do grupo.
Goiânia ainda leva vantagem sobre outras capitais no preço dos imóveis. “Enquanto os empreendimentos mais caros custam cerca de R$ 17 mil por metro quadrado, em outras capitais similares, o valor parte do dobro disso. Aqui, mora-se melhor pagando menos”, explica Adriano Marquez, corretor de imóveis de alto padrão.

Setor de Serviços
O segmento de luxo também se expande nos serviços. Campo Grande recebeu, no ano passado, a 1ª edição do Summit Bride Conexões, voltado para o mercado premium de casamentos. O evento reuniu estilistas renomados e consultores. “Nosso objetivo foi trazer as novas tendências e profissionalizar os fornecedores locais”, afirma Zo Coscioni, uma das organizadoras.
PIB e Agro acima da média nacional
Para a jornalista Mônica Salgado, o Centro-Oeste se destaca cada vez mais no mercado de luxo. “A região concentra uma riqueza crescente. A chegada de novas marcas é um termômetro disso”, avalia.
Flávio Lima, da Danglar, credita o crescimento do setor ao aumento do poder aquisitivo de empresários, investidores e profissionais liberais, além da força do agronegócio.
Enquanto o Brasil projeta desaceleração em 2025, o Centro-Oeste deve registrar a maior taxa de crescimento do país, com previsão de 2,8%, acima da média nacional de 2%. O agronegócio continua sendo o principal motor desse desempenho, impulsionado por uma safra recorde de grãos. Nos dois anos anteriores, a região já havia liderado o crescimento econômico do Brasil, com avanços de 5,9% em 2022 e 4,9% em 2023.