Por Ivan Lima
Sabemos que o uso da Inteligência Artificial (IA) é um dos principais motores de transformação nos negócios em todo o mundo, mas ainda existe um longo caminho quando se trata das empresas brasileiras, com apenas 21% das organizações utilizando as novas tecnologias em suas rotinas, segundo a pesquisa Panorama de Gestão Fiscal e Financeira 2025, realizada pela Qive em parceria com a Endeavor.
Porém, a aplicação da IA em áreas como a gestão tributária tem tido um avanço significativo aqui, onde o sistema tributário é complexo e frequentemente desafiador, com as constantes mudanças nas normas fiscais, aliada à complexidade da legislação, o que torna a gestão tributária uma tarefa onerosa e repleta de riscos. Não é a toa que escritórios contábeis que adotaram análise preditiva tiveram um crescimento de 20% na receita em comparação aos que ainda utilizam métodos tradicionais, de acordo com Relatórios da Deloitte
Segundo levantamento da McKinsey, hoje, é possível automatizar até 60% das tarefas contábeis, o que pode reduzir em até 40% o tempo gasto com tarefas repetitivas, permitindo manter o foco em atividades estratégicas. Com a capacidade de processar grandes volumes de dados e otimizar processos, a IA surge como uma solução eficiente para lidar com o nosso sistema fiscal atual e os impactos da Reforma Tributária iminente.
Quando se trata do uso da IA para identificar oportunidades dentro na gestão de negócios, a recuperação de créditos tributários é um dos destaques, já que algoritmos inteligentes são capazes de vasculhar grandes volumes de dados e identificar oportunidades de recuperação de valores pagos indevidamente, como ICMS, PIS, Cofins, entre outros. Além disso, a IA pode automatizar o processo de solicitação de restituição ou compensação, reduzindo erros e economizando tempo.
Outro ponto importante é a Reforma Tributária, já que a proposta de simplificação do sistema fiscal, que inclui a unificação de tributos em um único Imposto sobre Valor Agregado (IVA), trará mudanças significativas para as empresas. Apesar de reduzir a complexidade do sistema, as mudanças devem impactar a carga tributária de diferentes setores, obrigando as empresas a revisarem suas estratégias fiscais com mais eficiência para garantir conformidade.
Mais do que nunca é importante focar na gestão, entender de fato que um negócio deve ser estruturado não com base em benefícios fiscais e sim em eficiência. Um momento em que as empresas precisam reaprender a viver sem dependência do Estado em termos de concessão de benefícios fiscais e, para isso, é necessário a busca constante pela eficiência operacional, uso racional de tecnologia e, claro, da inteligência artificial.
Com sua capacidade de automatizar processos, identificar oportunidades de recuperação de créditos tributários e simular cenários fiscais, a IA vem sendo uma grande aliada que contribui para manter a conformidade fiscal, mas também processos eficazes para obtenção de resultados sustentáveis, otimizando o processos de precificação, simulando cenários pré e pós reforma, e maximizando a competitividade no mercado.

Ivan Lima,
CEO da KBL Contabilidade, boutique contábil sócia membro do Tax Group.