A conjuntura brasileira recente revela um quadro de tensões institucionais que desafia a solidez do Estado e a sua capacidade de oferecer previsibilidade. Divergências entre poderes, disputas sobre competências e a crescente judicialização de temas políticos têm produzido um ambiente de incerteza que fragiliza a confiança pública. Quando instituições fundamentais entram em rota de colisão, o resultado imediato é a erosão da estabilidade necessária para que políticas públicas se desenvolvam de forma contínua e coerente.
Esse cenário repercute diretamente na economia. Investidores — nacionais e estrangeiros — observam com cautela qualquer sinal de instabilidade institucional, pois decisões de longo prazo dependem de segurança jurídica, clareza regulatória e harmonia entre os poderes. A percepção de conflito constante eleva o risco-país, encarece o crédito e reduz o apetite por novos investimentos. Em um País que necessita ampliar sua infraestrutura, modernizar setores produtivos e gerar empregos, a instabilidade institucional funciona como um freio que impede avanços estruturais.
A proximidade de um ano eleitoral tende a intensificar esse quadro. A polarização política, já elevada, costuma ganhar contornos ainda mais agudos durante campanhas, quando discursos se radicalizam e a disputa eleitoral contamina o debate público. Em vez de discussões programáticas, prevalecem narrativas de confronto que pressionam ainda mais as instituições. Esse ambiente pode gerar volatilidade nos mercados, retração de investimentos e adiamento de decisões estratégicas por parte do setor produtivo, que aguarda sinais mais claros sobre o futuro político e econômico do País.
Diante desse contexto, torna-se imperativo que as instituições brasileiras busquem equilíbrio, maturidade e compromisso com a estabilidade democrática. O fortalecimento institucional não é tarefa exclusiva de um poder ou de um grupo político, mas um esforço coletivo que exige responsabilidade, autocontenção e respeito aos limites constitucionais. Ao mesmo tempo, a sociedade é chamada a participar de um debate mais profundo sobre o Brasil que deseja construir — um debate que ultrapasse paixões momentâneas e rejeite a lógica da polarização permanente.
Pensar o futuro do País requer serenidade, visão de longo prazo e disposição para construir consensos mínimos. Somente assim será possível consolidar um ambiente institucional saudável, capaz de sustentar o desenvolvimento econômico e social que o Brasil tanto necessita.

Juscimar Ribeiro,
Advogado especialista em Direito
Administrativo e Direito Constitucional














