ANO 3 – 1958: Cooperativismo e a representatividade política
Por Leandro Resende
A história se constrói ao caminhar. A União das Cooperativas de Goiás (UCEG), que hoje é conhecida como Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB/GO), abriu, em 1958, um ciclo de fortalecimento da entidade, que já cumpria um papel para além da representação formal. Desde o início, a UCEG se tornou o elo entre o produtor isolado e o Estado, entre a necessidade local e a política regional e federal..
No âmbito local, a representatividade de importantes setores empresariais, e também de expressões políticas da época, era uma marca. Além do apoio do ex-governador Pedro Ludovico Teixeira, o cooperativismo contava com o primeiro presidente da UCEG José de Assis Moraes, ex-deputado e ex-prefeito de Rio Verde. E, entre outros fundadores da entidade, também contou com Jaime Câmara, que neste mesmo ano de 1958, elegeu-se prefeito de Goiânia, pelo voto direto, cargo que ocupou de janeiro de 1959 a janeiro de 1961 – tendo se destacado nos investimentos em infraestrutura, como pavimentação de ruas e avenidas, serviços de água e esgoto, além de saúde e educação.
Um detalhe histórico, e anterior a fundação da entidade, é que a primeira empresa registrada na Junta Comercial de Goiás (Juceg), quando a autarquia foi regulamentada no Estado, em 1918, é de uma empresa em formato de cooperativa, uma das pioneiras no Estado com este modelo. O contrato é da Companhia Auto Viação Sul Goyana, de Rio Verde, tendo 118 sócios, uma das precursoras no transporte e concessões rodoviárias no Estado.
Fazendeiro e empreendedor do Sudoeste goiano, o acionista majoritário, Orozimbo de Souza Bueno, era também o presidente desta “cooperativa”. Na ata, Pedro Ludovico Teixeira, que ainda não atuava na política, assina entre os sócios. Pedro Ludovico governou Goiás por quase duas décadas e, ao tentar eleger seu sucessor, em 1946, foi derrotado justamente por Jerônimo Coimbra Bueno, filho de Orozimbo. Quando governador, Pedro Ludovico foi um dos estimuladores do cooperativismo em Goiás, seguindo o presidente Getúlio Vargas.
Jerônimo Coimbra Bueno, filho de Orozimbo, o presidente da cooperativa rodoviária de Rio Verde de 1918, foi governador em Goiás entre 1946 e 1950, também tendo impactado o cooperativismo goiano – ainda na fase pré-UCEG. Estudos apontam que um grupo de 250 pessoas, nos anos 1940, montaram a Sociedade Cooperativa Agro-Pecuária de Itaberaí, formada por imigrantes europeus, a maior parte poloneses. Vieram para o Brasil, após a 2ª Guerra Mundial, trazidos por Coimbra Bueno, já em seu mandato como governador.

O projeto, que mantinha a linha de Getúlio Vargas, era montar cooperativas para receber os imigrantes e, ao mesmo tempo, preencher os vazios demográficos do Estado, promovendo, com o cooperativismo, o desenvolvimento da agricultura, por meio de novas técnicas que fossem introduzidas por eles.
Mauro Borges de Teixeira, filho de Pedro Ludovico, governou em Goiás entre 1961 e 1964. Este período foi outro marco para o cooperativismo no Estado, promovendo a reforma agrária, por meio da criação de Combinados Agro-Urbanos (cooperativas de produção) para desenvolver a agricultura familiar e integrar comunidades. As iniciativas visavam integrar o campesinato ao desenvolvimento econômico regional e nacional, como veremos nos próximos capítulos.
Um pouco antes, na década de 1950, outro ponto de destaque foi a construção de Brasília, que teve início oficial em 1956 e ganhou força a partir de 1958. O feito impulsionou a economia goiana, que abastecia, com insumos, gêneros de primeira necessidade e empregos, as obras e os primeiros anos da nova capital federal. A construção foi intensa e durou cerca de 41 meses, com inauguração em 21 de abril de 1960. Como destacado nos dois capítulos iniciais deste Especial dos 70 anos da OCB/GO, o governo de Juscelino Kubitschek foi um grande estimulador – assim como o de Vargas – da expansão do cooperativismo.
Em 1958, Goiás era governado por José Ludovico de Almeida, o Juca Ludovico, que que também mantinha um olhar favorável ao cooperativismo como mecanismo de desenvolvimento rural. Juca Ludovico apoiou a criação da UCEG e recebeu da entidade a demanda de criar a agência do Banco Nacional de Crédito Cooperativo em Goiás, que financiou a produção de arroz, feijão e batata por parte das cooperativas e se consolidou como um ponto determinante para o setor em Goiás.
O cooperativismo entrou na pauta de debate e formação econômica de Goiás entre os anos 1910 e 1960, ora no contexto nacional, com os ex-presidentes Getúlio e Juscelino, ora no regional, com os então governadores Pedro Ludovico, Jerônimo Coimbra Bueno, Juca Ludovico e Mauro Borges, ou ex-prefeitos, como Jaime Câmara e José de Assis Moraes, lideranças políticas que já enxergavam as cooperativas como uma das bases do progresso do País e do Estado de Goiás.
Mas o olhar favorável dos agentes políticos não constrói um setor, é apenas suporte. A UCEG surgiu e seguiu firme, dependendo mais da determinação de seus dirigentes e das cooperativas do que de qualquer política estruturada de apoio institucional. A história de sete décadas mostra o quanto o trabalho consistente e os princípios do cooperativismo deram ao setor o diferencial para a sua consolidação.















