Muitos brasileiros se perguntam qual é o melhor primeiro passo para avaliar, de forma concreta, as oportunidades existentes nos Estados Unidos. A resposta mais prudente, baseada no bom senso, às vezes é o programa de visto de estudante: uma excelente porta de entrada.
Conhecido como visto F-1, esse programa permite que o candidato resida legalmente nos Estados Unidos com o objetivo de realizar um curso de estudos. O primeiro passo é a matrícula em uma instituição de ensino que possua credenciamento junto ao governo americano para receber estudantes internacionais. Essas instituições estão autorizadas a emitir um documento essencial para fins imigratórios, o I-20.
As opções de estudo no país são amplas e diversificadas. Há cursos acadêmicos, técnicos e profissionalizantes, em diferentes regiões, com durações e custos variados. Cada candidato pode – e deve – analisar essas alternativas com cuidado, visitando a instituição antes da matrícula. Uma vez obtido o I-20, o estudante pode iniciar o pedido do visto F-1.
O processo tradicional é realizado em um consulado ou embaixada dos EUA no Brasil. Em geral, os postos consulares dão prioridade aos pedidos de visto de estudante, e as entrevistas costumam ser agendadas em até 30 dias, com algumas exceções. O visto F-1 é concedido ao estudante principal e cônjuge. Filhos solteiros menores de 21 anos podem solicitar vistos derivados F-2 para acompanhá-lo. Os vistos F-2 dão direito aos acompanhantes de residir e estudar nos Estados Unidos também, inclusive em escolas públicas.
Embora o estudante e familiares possam residir e estudar nos EUA, não é permitido trabalhar, salvo exceções muito específicas previstas em lei. Para a aprovação do visto, o candidato deve demonstrar que possui recursos financeiros suficientes para arcar com as mensalidades escolares e com todas as despesas da família durante toda a permanência no País.
Além disso, o solicitante precisa convencer o oficial consular de que mantém fortes vínculos com o Brasil, e que não pretende imigrar permanentemente para os EUA. São vínculos: escritura de imóvel, saldos bancários consistentes, investimentos, laços familiares, histórico educacional, renda comprovada e declarações de imposto de renda em dia. O objetivo é afastar qualquer dúvida de que o candidato pretenda permanecer nos EUA após o término do curso ou trabalhar sem autorização enquanto estuda.
A duração deste visto está ligado ao tempo do programa acadêmico escolhido. Cursos que resultam em bacharelado, mestrado ou doutorado tendem a ter maiores índices de aprovação, pois demonstram um projeto educacional mais consistente. A concessão do visto não é automática: o consulado americano conduz uma análise baseada na qualidade das provas apresentadas.
A conclusão de um curso superior traz vantagens significativas. Após a formatura, o estudante pode obter autorização de trabalho que permite exercer atividade profissional nos EUA por um prazo de um a três anos, dependendo da área. Esse programa é conhecido como ‘OPT – Optional Practical Training’.
O visto de estudante é um excelente primeiro passo para avalia oportunidades nos EUA. O estudante pode construir uma rede de contatos profissionais e conseguir oportunidades viáveis no período de autorização de trabalho.
Essas primeiras experiências profissionais servem como base para projetos mais amplos, incluindo vistos de trabalho e processos de residência permanente. O programa de visto de estudante é uma opção fascinante, que merece ser analisada com cuidado por brasileiros e suas famílias que desejam explorar, de forma segura e planejada, possibilidades nos Estados Unidos.

Michael Liberatore,
advogado nos Estados Unidos e consultor em direito estrangeiro, inscrito na
OAB-SP, com atuação restrita ao direito norte-americano.
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