2026: o que preveem os especialistas
Rafael Mesquita
O ano de 2025 na economia brasileira foi marcado por um crescimento do PIB moderado, inflação dentro da meta e um mercado de trabalho pujante, mas com sinais de desaceleração no segundo semestre. Ainda foi um ano de “virada de chave”, consolidando a Reforma Tributária como irreversível e focada no planejamento e execução das mudanças, preparando o terreno para o futuro e os impactos diretos na gestão fiscal e nos balanços patrimoniais.
Para 2026, os desafios incluem a manutenção da estabilidade fiscal, a gestão da política monetária em meio a juros ainda altos e a busca por um crescimento com maior densidade industrial, evitando políticas populistas em ano eleitoral.
Ouvimos especialistas de diversas áreas sobre as perspectivas para o ano que chega, previsões econômicas e, claro, o palpite para a Copa do Mundo de futebol que vem aí. Confira todas as informações em https://leituraestrategica.com.br/
Leia agora a opinião de Rands Costa:
Em 2026, o ambiente empresarial brasileiro deve conviver com uma mudança estrutural na forma como as empresas lidam com contabilidade, governança financeira e riscos tributários. A reforma tributária inaugura um período de transição gradual de regras, bases de cálculo e modelos de apuração, exigindo uma postura mais estratégica do empresário – algo que historicamente sempre foi delegado ao contador ou ao consultor especializado.
Durante décadas, o tema tributos esteve restrito ao campo técnico. A gestão empresarial olhava para a contabilidade como área de cumprimento de obrigações, não como parte do processo decisório. Esse modelo, porém, está se esgotando. O novo ciclo pede integração entre gestão, contabilidade e planejamento, com maior corresponsabilidade e interação permanente. Contabilidade e tributos são, cada vez mais, estratégias de negócio.
A cultura empresarial terá de evoluir. Não bastará mais enviar documentos, aguardar guias e reagir a demandas do fisco. O empresário precisará compreender impactos tributários de suas escolhas, avaliar riscos, discutir cenários e participar ativamente das decisões que envolvem enquadramento, operações, investimentos e expansão. A contabilidade deixa de ser um centro de custo e passa a ocupar papel de inteligência financeira. Vai exigir bons assessores, mas também um empresário melhorado.
Esse movimento ocorre paralelamente ao avanço da digitalização fiscal, do cruzamento automatizado de dados e do aumento da rastreabilidade das operações. O ambiente será mais transparente, mais técnico e menos tolerante ao improviso. Empresas que mantiverem práticas reativas tendem a acumular contingências, perder competitividade e comprometer margens no médio prazo.
Estar bem assessorado continuará sendo fundamental, claro, mas a relação muda. Sai o modelo passivo, entra a parceria consultiva. O contador assume função estratégica, e o empresário passa a ser agente participante do processo, e não apenas cliente de informações prontas.
O desafio, portanto, não é apenas normativo: é cultural. Exige educação financeira corporativa, maturidade de gestão e disposição para ampliar o diálogo sobre riscos e oportunidades tributárias. Em 2026, quem compreender essa transição terá mais previsibilidade, segurança e capacidade de planejamento. Quem resistir pode descobrir, tarde demais, que tributo não é apenas obrigação — é também estratégia de sobrevivência e competitividade.

Rands Costa, Contador, advogado, especialista em Auditoria e Análise Contábil pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC/GO), Controladoria e Finanças pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com mais de 20 anos de atuação como auditor, perito, consultor societário e tributário













