Liderar é, acima de tudo, tomar decisões sobre pessoas. E poucas decisões são tão críticas quanto definir quem ocupa cada cadeira dentro de uma organização.
Essa escolha não é operacional, ela é extremamente estratégica. E, quando feita de forma equivocada, pode ser perigosa. O impacto pode ser profundo e, muitas vezes, irreversível.
Colocar alguém em uma posição acima da sua capacidade não é apenas um erro de avaliação. É um erro que pode custar caro demais. Um profissional despreparado não falha sozinho. Ele compromete destinos, desalinha times, desacelera resultados e, em casos mais críticos, destrói valor.
E existe um ponto ainda mais sensível: a cultura organizacional. Nos últimos dias, me peguei conversando bastante com minha equipe de líderes sobre esse tema. O cuidado com essas decisões não é opcional. É responsabilidade de quem lidera.
Escolher a pessoa certa tem, na prática, apenas dois caminhos. Ou você acerta, ou você corrige rápido.
E corrigir rápido é essencial, o tempo amplifica o erro. Existe uma máxima simples que traduz bem isso. Quando você entra no trem errado, precisa descer na próxima estação e ajustar o rumo.
Um dos principais equívocos é confundir potencial com prontidão. Potencial é importante, mas não substitui preparo. Não substitui consistência. Não substitui maturidade.
Crescimento consistente exige construção prévia. Estudo, prática, exposição gradual a desafios e repertório acumulado.
O equilíbrio entre hard skills e soft skills é o que sustenta essa equação. O conhecimento técnico garante a qualidade das decisões. A maturidade comportamental garante a execução.
Líderes experientes sabem que promoção não é prêmio. É responsabilidade. Não se trata de reconhecer o passado, mas de garantir o futuro.
Por isso, desenvolver pessoas precisa ser um processo intencional. Com preparo, acompanhamento e exposição progressiva à complexidade. Existe uma diferença clara entre desenvolver e arriscar.
Desenvolver é preparar antes. Arriscar é expor sem base.
Mais do que preencher cadeiras, o papel da liderança é garantir que cada posição seja ocupada por profissionais efetivamente preparados para sustentá-la. Quando esse critério não é respeitado, o custo deixa de ser pontual e passa a ser estrutural, afetando a organização como um todo.

Fabiano Pedrassani,
mestre em Finanças e Administração, Engenheiro, com especialização em Estratégia e Economia Internacional.














