Empresas familiares são únicas, porque misturam emoções da família com decisões de negócios e questões de propriedade. Justamente por isso surgem confusões: quem manda, quem recebe dinheiro, quem trabalha. Uma ferramenta visual muito útil para organizar tudo isso é o Modelo dos Três Círculos.
A ideia nasceu em 1978 com os professores Renato Tagiuri e John Davis, da Universidade de Harvard. Esse modelo divide a empresa familiar em três círculos que se sobrepõem: família, propriedade e empresa (gestão). Cada pessoa envolvida pode estar em apenas um círculo ou em mais de um ao mesmo tempo. Entender onde cada um está é o primeiro passo para melhorar a convivência e a tomada de decisão.
O círculo da Família representa os laços afetivos, valores, histórias e expectativas. É nele que surgem temas como sucessão, educação dos herdeiros e harmonia familiar. Quando esse espaço é respeitado, a família consegue conversar sobre assuntos sensíveis sem levar emoções diretamente para a gestão do negócio.
O círculo da Propriedade trata de quem é dono, quem tem participação e quais são os direitos e deveres dos sócios. Aqui entram decisões sobre dividendos, venda de quotas e entrada de novos sócios. A clareza nesse círculo reduz conflitos e aumenta a confiança entre os familiares.
Já o círculo da Empresa envolve a gestão do dia a dia, metas, resultados e desempenho. Nesse espaço, o foco deve ser competência, responsabilidade e performance. O modelo ajuda a separar o papel de gestor do papel de familiar, fortalecendo a profissionalização.
O grande benefício do modelo dos três círculos é trazer a clareza de papéis. Ele mostra que uma pessoa pode ser herdeira, sócia e gestora, mas que cada papel exige comportamentos e decisões diferentes. Isso reduz ruídos, conflitos e expectativas irreais.
Para famílias empresárias e conselhos, o modelo é uma poderosa ferramenta de diálogo. Ele facilita acordos, orienta a governança e contribui para a longevidade do negócio, protegendo tanto a empresa quanto aquilo que é mais valioso: a relação familiar.

Ronaldo Guedes,
sócio da Lure Consultoria, Coordenador do IBGC e Diretor da Acieg.














