Pergunta do Fábio Gandolfo, administrador de empresas, conselheiro consultivo e consultor empresarial na FAGP Consultoria e Assessoria em Gestão. Confira a baixo a resposta do colunista Marcelo José de Aquino.
Ainda não, mas se os empreendedores e/ ou gestores o idolatram e o consideram o principal e/ou único indicador de desempenho da empresa, talvez estejam, sem perceber, decretando também a morte da própria empresa.
O EBITDA vem sendo utilizado há muitos anos pelo mercado, por empresas, instituições financeiras, gestores e outros agentes como uma métrica do “potencial de geração de caixa” da empresa, servindo para avaliação de desempenho, performance de executivos, múltiplos para negociação de vendas de em presas, base para covenants, entre outros fins. No entanto, ele não capta diversos elementos essenciais, como investimentos, além de possuir outras deficiências.
A subjetividade das práticas contábeis, a discricionariedade em determinadas classificações no resultado e as divergências entre práticas contábeis (dependendo do porte da empresa) podem iludir o usuário do EBITDA, tornando-o pouco confiável quando analisado isoladamente. Soma-se a isso a criatividade das empresas ao criar o chamado EBITDA Ajustado.
A própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM), determinou que as companhias abertas divulguem o EBITDA tradicional (resultado antes dos impostos, resultado financeiro, depreciação e amortização) e apresentem a conciliação com o EBITDA Ajustado, cabendo ao usuário decidir qual métrica considerar.
Como “contador raiz”, acredito mais no resultado do exercício, ainda que não seja exato devido às diversas estimativas contábeis reconhecidas, como provisões para perdas com estoques, créditos, contingências e depreciações. No final das contas é o que sobra ou falta no final do exercício. Creio que o EBITDA deva ser apenas mais um indicador a ser analisado em conjunto com outros, sempre avaliando se os resultados apurados são genuínos.
Além de analisar o resultado contábil final, experimente utilizar o EVA (Valor Econômico Agregado), pois ele inclui o custo de capital próprio, que não está refletido nas demonstrações contábeis. Ao considerar o retorno esperado pelos acionistas (ainda que esse fator também seja subjetivo), é possível estimar se a empresa realmente está gerando valor.
Mas aqui fica o alerta principal: não existe nenhum indicador que possa ser avaliado adequadamente sem uma contabilidade atualizada e aderente às regras contábeis, mesmo com algumas imperfeições inerentes a essa linguagem.
Assim, antes de analisar qualquer indicador, assegure-se de que sua contabilidade está atualizada, sem vieses, completa e livre de regras de “conveniência”.

Marcelo José de Aquino
Sócio da Ganplo Treinamento e Governança, Membro de Conselho de Administração e Consultivo de empresas.