2026: o que preveem os especialistas
Rafael Mesquita
O ano de 2025 na economia brasileira foi marcado por um crescimento do PIB moderado, inflação dentro da meta e um mercado de trabalho pujante, mas com sinais de desaceleração no segundo semestre. Ainda foi um ano de “virada de chave”, consolidando a Reforma Tributária como irreversível e focada no planejamento e execução das mudanças, preparando o terreno para o futuro e os impactos diretos na gestão fiscal e nos balanços patrimoniais.
Para 2026, os desafios incluem a manutenção da estabilidade fiscal, a gestão da política monetária em meio a juros ainda altos e a busca por um crescimento com maior densidade industrial, evitando políticas populistas em ano eleitoral.
Ouvimos especialistas de diversas áreas sobre as perspectivas para o ano que chega, previsões econômicas e, claro, o palpite para a Copa do Mundo de futebol que vem aí.
Leia agora a opinião de Leonardo Antonio Alves:
IA deixa de ser chatbot e vira infraestrutura
Se os últimos anos foram de deslumbramento com a IA generativa, 2026 será o ano da “sobriedade operacional”. A tecnologia deixa de ser apenas um chatbot para se tornar a infraestrutura executiva das empresas. A prova mais clara dessa virada? A recente aquisição da Manus pela Meta. O movimento sinaliza que o mercado migrou dos modelos de texto para a “camada de ação”: não basta a IA pensar, ela precisa manipular o ambiente digital com precisão.
Entramos na era dos Agentes Autônomos. Diferente de IAs passivas, eles planejam e executam tarefas em ERPs. O Gartner prevê que, até 2028, um terço das interações de software será via agentes, transformando produtividade estimada em lucro real.
Mas a era do “faça e depois veja” acabou. Em 2 de agosto de 2026, o AI Act europeu ativa regras rígidas. No Brasil, contudo, o cenário preocupa: a tendência regulatória ameaça impor burocracias que prejudicam a pesquisa nacional mais do que ajudam. Ainda assim, padrões globais como a ISO 42001 viram o básico: sem governança auditável, empresas estarão fora do jogo. Simultaneamente, a tecnologia foca em multimodalidade e Edge AI para garantir privacidade, exigindo Red Teaming constante.
O desafio final é físico. Com data centers podendo dobrar o consumo de energia e dados públicos esgotando, o ouro agora é o “dado proprietário” e a eficiência. Em 2026, vencerá quem operar com método e dados internos, não quem apenas adotar a tecnologia.

Prof. Leonardo Antonio Alves, professor na Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutor em Ciência da Computação. Coordena/dirige a Fábrica de Software do INF/UFG e atua como pesquisador no CEIA e no AKCIT. Pesquisa e desenvolve soluções de IA aplicadas a produtos digitais, com foco em engenharia de software e transformação organizacional.













