Na última quarta-feira, 28, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, mas, pela primeira vez desde a alta prolongada, deixou claro que o ciclo de cortes começa em março. O mercado já precifica um corte inicial pequeno, na ordem de 25 pontos-base (para 14,75%), embora cenários mais agressivos também sejam debatidos.
O que muda não é apenas o número: é a direção.
Uma tendência de queda contínua na taxa básica altera o custo de oportunidade do capital, pressiona rendimentos de renda fixa e favorece a tomada de dívida para investimentos e expansão.
Para o empresário, isso significa uma janela de oportunidade para destravar projetos – investimento em capital fixo, aquisições ou reorganização de passivos – com juros nominais em trajetória descendente.
A advertência prática: observe o spread.
Quando a taxa variável de referência (o CDI) começa a cair, os bancos frequentemente ajustam o preço que cobram dos tomadores para proteger margem – ou seja, o spread tende a permanecer elevado ou até ampliar-se em alguns segmentos, reduzindo o benefício imediato da queda da Selic.
Recomendações práticas:
- Faça simulações com diferentes cenários de spread (CDI − spread) e não conte só com a queda da Selic: avalie o custo efetivo total.
- Em caso de investimento em ativos cujo payback é de longo prazo – ou renegocie parcelas para alongar vencimentos.
- Em caso de capital de giro, atente-se especialmente ao spread, que tende a ser mais alto.
- Diversifique fontes: bancos tradicionais, mercado de capitais (debêntures, CRA, FIDC) e investidores institucionais podem oferecer condições distintas e menos vulneráveis a ajustes de spread.
- Prepare a governança e a documentação: crédito estruturado exige transparência contábil e operacional – quem está pronto negocia melhor.
A leitura correta do comunicado do Copom abre uma janela estratégica: há espaço para captar, mas a vantagem real dependerá do spread que você consegue negociar. Planeje com cenários, teste propostas e capture financiamento quando a matemática mostrar ganho real – não apenas quando a Selic cair no papel.

Maicon Farina,
Sócio Diretor da Lure Capital














