O Bartolomeu fez ontem a sua inscrição na Feira Internacional do Comércio Exterior no Brasil Central (Ficomex), que ocorre de 4 a 6 de setembro, em Goiânia. É o maior evento do gênero do País. O Bartô é de São Paulo, paulistano tradicional, daqueles que usam bota e bacamarte (espingarda).
Nome completo: Bartolomeu Bueno da Silva. Na ficha de inscrição está lá que ele é bandeirante. Eu “googlei” aqui e apareceu uma sequência de informações bem diferente dos demais inscritos. Traz que ele nasceu em 1672 e teria morrido em 1740, que foi um bandeirante paulista, que veio buscar ouro e indígenas no Centro-Oeste brasileiro – e, com o sucesso da mineração, o Governo paulista recebeu do Império Português a determinação de criar uma capitania (Estado) neste novo território de exploração.
Se a questão dos indígenas não deu tão certo quanto se esperava, porque eram muito ariscos, o ouro inaugurou um processo exportador (modo colonial) dessa terra aqui, que, em homenagem à tribo indígena “guaiás”, foi batizado Goiás – antes, Goyaz. O Estado foi o segundo maior produtor de ouro no Brasil durante o período colonial, ficando atrás apenas de Minas Gerais.
A mineração e a exportação, quase 300 anos depois, ainda continuam fortes na pauta econômica diária em Goiás. É relevante registrar que a origem do Estado tem o foco nestes dois setores da economia. Depois, com a retração do minério, abriu-se espaço para o setor agropecuário, que se tornou, posteriormente, uma marca mais característica de Goiás.
No comércio exterior, Goiás vem expandindo gradativamente desde os anos 1990, quando ocorreu a abertura comercial, com um avanço de superávits recordes a cada ano.
Mesmo sem acesso direto ao mar, estando a mais de mil quilômetros de distância, e sem uma estrutura portuária para atrair investimentos no setor exportador, Goiás avançou de uma posição pouco significativa, ficava fora do TOP-15, para se posicionar entre os oito principais Estados exportadores do País. Tem o Porto Seco Centro-Oeste, que facilita operações de comex e faz o desembaraço alfandegário, mas não reduz a distância do embarque.
Hoje, após três décadas mais ativas, o fluxo de comércio exterior (exportação mais importação), quando se contabiliza em reais, é proporcional ao tamanho do comércio varejista goiano, somando todas as vendas no mercado interno. Ambos giram em torno de R$ 100 bilhões. É uma questão de tempo para que, nos próximos anos, o comércio exterior seja muito maior do que nosso varejo.
Enfim, do Bartô ao Rubens Fileti, presidente da Acieg-Faciest, das duas entidades realizadoras da Ficomex, temos uma construção histórica que precisa, gradativa e diariamente, avançar, qualificar e profissionalizar-se, principalmente no que se refere ao setor privado.
Se as políticas públicas são vitais, é o setor privado que precisa se mexer mais, depender menos e evoluir mais ligeiramente, pois do ouro de ontem que os bandeirantes levaram às terras raras de hoje, que os chineses, japoneses e americanos querem levar, precisamos entender (e rápido) como deixar parte do ganho para os negócios locais, pois corre-se o risco da história (sempre é assim) se repetir. O risco é alto. E não é à toa que o Bartô está inscrito na Ficomex – faça a sua inscrição hoje, o “ouro” está na feira, ache-o.
Leandro Resende – editor-chefe da Revista Leitura Estratégica
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