O tráfego generative engine optimization (GEO) pode até estar se consolidando como uma das fontes mais valiosas de conversão no ambiente digital, mas há um detalhe que muita gente está ignorando. E isso pode custar caro.
Nos últimos meses, cresceu o número de empresas tentando surfar essa onda da forma mais óbvia possível: criando listas em seus próprios sites para parecerem a melhor opção em determinada cidade, região ou segmento. São páginas com títulos previsíveis, fórmulas repetidas e um objetivo claro: convencer mecanismos, plataformas e inteligências artificiais de que aquela marca merece ser recomendada.
O problema é que quase todo mundo está fazendo exatamente a mesma coisa.
E quando uma estratégia se torna fácil demais de replicar, ela deixa de ser uma vantagem competitiva e passa a ser um problema coletivo.
Hoje, muitas empresas estão publicando conteúdos do tipo “os melhores”, “as principais”, “as mais recomendadas”, sempre colocando a si mesmas em posição de destaque. Em um primeiro momento, isso pode até gerar algum resultado. Pode atrair cliques, ganhar visibilidade e capturar parte dessa demanda local ou contextual.
Mas basta olhar um pouco adiante para entender o que tende a acontecer.
Se sistemas baseados em IA, recomendação e busca começarem a entregar respostas ruins, tendenciosas ou claramente manipuladas, a reação do usuário será inevitável. As pessoas vão perceber. Vão perder confiança. Vão reclamar. E, como sempre aconteceu no marketing digital, os algoritmos vão mudar.
Essa é a surpresa desagradável que muitos profissionais ainda não enxergaram.
A tentativa de escalar presença com listas artificiais e páginas feitas apenas para capturar tráfego pode até parecer inteligente agora, mas carrega o mesmo vício de várias estratégias que já ruíram no passado: funciona até o momento em que o sistema aprende a identificar o exagero.
E não para por aí.
Além do risco de perder eficiência no GEO, existe ainda um efeito colateral mais sério: o prejuízo ao SEO do próprio site.
Ao criar dezenas ou até centenas de páginas muito parecidas, alterando apenas localização, categoria ou pequenas variações de texto, muitas marcas acabam enchendo seus domínios com conteúdos frágeis, rasos e de baixa utilidade real. Isso enfraquece a autoridade do site, compromete a qualidade média do conteúdo e pode afetar negativamente a performance orgânica como um todo.
Ou seja, na tentativa de ganhar mais tráfego, a empresa pode acabar destruindo parte da relevância que já tinha construído.
O ponto aqui não é dizer que o tráfego GEO não vale a pena. Muito pelo contrário. Ele pode ser extremamente poderoso. Em muitos cenários, converte mais do que canais tradicionais justamente porque está mais próximo da intenção real do usuário.
Mas o erro está em achar que essa oportunidade pode ser explorada com atalhos baratos e conteúdo autopromocional disfarçado de recomendação.
Estratégias duradouras não se apoiam apenas em volume. Elas se sustentam em utilidade, profundidade, contexto e confiança.
As empresas que realmente quiserem aproveitar o potencial do GEO precisarão pensar além da lógica de “rankear por qualquer meio”. Precisarão construir presença local com consistência, reputação, conteúdo útil e sinais reais de autoridade.
Porque, no fim, não será a marca que mais publicou listas sobre si mesma que vai vencer.
Será a marca que de fato merecer ser lembrada, recomendada e encontrada.

Carlos Monteiro,
Especialista em UX, Estratégia Digital e Experiência do Cliente














