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Em que ano vou morrer?

Leitura Estratégica por Leitura Estratégica
janeiro 17, 2026
em Artigos
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Em que ano vou morrer?
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Em que ano vou morrer?

Qual o meu potencial de chegar a CEO da empresa?

O que vou estar fazendo aos 70 anos?

Não é brincadeira nem horóscopo. É uma leve obsessão por previsibilidade que cultivo. As três perguntas acima são aleatórias, não quero falar de mim. São para puxar o assunto. Liberdade e invencionice para investigar um tópico.

Gosto do tema há alguns anos. E dois livros aguçaram mais essa inquietude: A Lógica do Cisne Negro (2007), de Nassim Nicholas Taleb, e Freakonomics: O Lado Oculto e Inesperado de Tudo que nos Afeta (2005), de Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner.

Toda vida tem um marco zero em uma ponta e, na outra, uma lápide. No meio do caminho, idas e vindas, lugares, riso, choro, fotos, fatos, atos cartoriais, estatísticas, territórios, dados e mais dados.

Sem juízo de valor ou de raça, usando dois perfis padrões da Pnad Contínua do IBGE, temos: se for homem branco, rico e morador do bairro nobre, tem algumas previsões gerais prontas (para ele, cônjuge, filhos e netos). O segundo estereótipo, se for homem negro, pobre e morador da periferia, são outras marcações, com dados menos animadores quanto às perspectivas.

A desigualdade social brota na superfície destes números. Incomoda pouco porque já é normalizada na cultura brasileira. Um muro alto separa os dois modelos – que já entrega junto com as primeiras fraldas e bico, um pacote de comportamentos, emoções, cultura social, preferência e referências. É só baixar e viver.

No liquidificador, essa base de estatísticas econômicas e sociais já direciona a expectativa de vida, estudos, renda, filho, trabalho, viagens e oportunidades.

E se jogar outras variáveis? O mix melhora se somar dados sobre a qualidade do sono; a distância até o hospital mais próximo e se este é público ou privado; remédios que toma; viagens de lazer que faz; onde já trabalhou e o que fez; o tempo médio que passa sentado; a quantidade de ultraprocessados no dia; o nível de ruído da rua; se usa moto; a frequência com que toma sol; o tempo que demora para responder um conflito; se usa drogas, fuma ou consome álcool; quantos anos estudou em escola pública ou privada; e, por fim, como e com quem escolhe passar o fim de semana.

Estes dados desenham sua rota no mapa da vida. O que faz e o que alcança estão, em 95% dos casos, pré-editados em uma tabela de Excel de origem e destino. Os 5% estão na margem de erro e são aqueles caras que são notícias, viram manchete. ‘O favelado que virou CEO’ ou ‘o milionário que hoje vive na Cracolândia’. São os personagens raros que são estudados porque saíram da rota e trazem dados novos à tabela do Excel.

Para Taleb, o mundo não muda de forma linear, mas por pancadas. Por eventos improváveis (que são os Cisnes Negros, o fato raro), acidentes, crises, por decisões que ninguém viu chegando e que depois parecem óbvias, porque a mente humana é especialista em inventar sentido após o caos.

Já Freakonomics vai em outra linha, cutuca o “lado oculto”: incentivos, comportamentos e pequenas variáveis que decidem grandes resultados. Uma frase boa: A vida real não é uma sala de aula, mas um sistema barulhento.

A genética interfere menos na previsibilidade do que a rotina invisível de cada um. São níveis de estresse crônico, pressão silenciosa, cuidado pessoal, cobrança de todos os lados que vão matando mais quem tem menor proteção.

As provocações ‘morrer’, ‘topo da carreira’ ou ‘velhice’ são meras ilustrações para te colocar dentro deste texto. A morte raramente avisa, o cargo nem sempre é por mérito e a velhice não é um troféu – tudo depende de onde você está, com quem vive e como desenvolveu a sua rota por décadas. Enfim, viva o seu caminho com mais leveza e ousadia. É o que você tem de bom.

LEANDRO RESENDE, editor-chefe
Linkedin: leresende

Tags: BrasilEconomiaEditorialEmpresas
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