Por Rafael Mesquita
Há mais de 30 anos, ele é a voz goiana nas principais transmissões esportivas para todo o País. O amor pela comunicação e pelo esporte começou bem cedo. Ainda criança, ouvia pelas ondas do rádio os jogos transmitidos pela Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. Com o pai, o médico Anuar Auad, acompanhava pela Rádio Bandeirantes, de São Paulo, as partidas do Corinthians.
Mas as maiores emoções eram nas narrações dos jogos do Goiás, na voz do locutor Édson Rodrigues, uma referência que o inspirou anos depois. “Para mim, ele e o José Carlos Araújo eram os maiores. Nas narrações, também passei a usar a expressão ‘avião verde’ em homenagem ao Edson”, lembra.
Nascido em Goiânia, em 29 de julho de 1963, Teocles José Brocos Auad, ou simplesmente, Téo José, admite: nunca se interessou pela escola. “Não gostava de estudar, fugia das aulas, ia apenas para poder jogar futebol com os colegas. O meu sonho era ser jogador”, afirma. Ele tentou. Ainda adolescente, fez teste no Goiás e no Goiânia. No Galo, começou a treinar como goleiro nas categorias de base, aos 14 anos. “Eu era um bom goleiro, mas baixo e o titular era muito melhor. Vi que não teria chances e desisti”, lembra.
Se o sonho de ser jogador de futebol se tornou distante, era hora de procurar uma outra profissão. O gosto pelo rádio despertou o interesse de trabalhar em emissoras locais. A primeira experiência foi aos 17 anos, como discotecário na rádio Musical. O trabalho era voluntário, mas serviu para estabelecer os primeiros contatos na comunicação. Tanto que o ex-chefe de Téo na emissora o chamou um ano depois para exercer a função de programador musical na rádio Brasil Central.
As oportunidades se ampliaram e, aos 19 anos de idade, se tornou locutor da emissora. Mas o nome de trabalho escolhido ainda era outro: Téo Auad. “Fiquei conhecido na comunicação em Goiás por esse nome. Até hoje, as pessoas que acompanham a minha carreira há muito tempo me chamam assim. Fico muito feliz”, afirma.
Pouco depois, começou a frequentar com assiduidade o autódromo internacional de Goiânia e a acompanhar as categorias: Marcas, Fórmula Ford, Fórmula 3 e Stock Car. “Antes, eu só assistia a Fórmula 1 para ver o Ayrton Senna. Passei a gostar de automobilismo”, explica. Téo nem desconfiava, na época, que esse esporte marcaria a sua carreira profissional anos depois.
Foi na Rádio Araguaia, em Goiânia, que o comunicador passou a ter visibilidade de fato. Com uma programação musical voltada ao público jovem, a emissora era a campeã de audiência na cidade. “Eu apresentava um programa de quatro horas e meia de duração com muito rock nacional, Michael Jackson e os sucessos da época”, destaca.
Téo se recorda de grandes shows promovidos pela emissora, em que apresentava os artistas ao público. “Xuxa, Dominó e os Menudos lotavam o Estádio Olímpico naquela época”, conta.

Com a chegada da Rádio Terra, a emissora perdeu o primeiro lugar da audiência e mudou a programação. “Não me identifiquei com as alterações e pedi à chefia para sair da locução musical diária e ficar apenas com a cobertura de automobilismo”, afirma. Nesse período, Téo já fazia freelancer como repórter em corridas. Além de trabalhar na TV Serra Dourada, fazendo reportagens no autódromo. “Cobri a Fórmula 1, em 1989, sem credencial, da arquibancada de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Comecei a conhecer pessoas do meio, até que surgiu o convite para narrar corridas fora de Goiás”, explica.
As primeiras narrações foram na Rede Manchete, para todo o País, das fórmula 3 Sulamericana, Ford e Chevrolet. Em 1993, uma guinada na carreira de Téo que o daria uma maior projeção nacional: a emissora comprou os direitos de transmissão da Fórmula Indy, que tinha o piloto brasileiro Emerson Fittipaldi como grande estrela. “Eles queriam contratar o Galvão Bueno, mas não conseguiram. Surgiu, então, essa oportunidade para mim. Nunca havia visto uma corrida da categoria”, admite.
Antes da primeira prova, uma história inusitada transformou a carreira do comunicador. O diretor artístico da Rede Manchete, Nilton Travesso, propôs mudar o nome de trabalho dele de Téo Auadi para Téo José. “Ele achava que Auadi dava cacofonia no ar, então me sugeriu utilizar meu outro nome, José. Resisti em um primeiro momento, mas aceitei em seguida. Depois, levei bronca do meu pai”, brinca.
O grande momento na emissora carioca foi a narração da vitória de Émerson Fittipaldi na principal corrida do planeta: as 500 Milhas de Indianápolis.
Dois anos depois, os direitos de transmissão da categoria foram adquiridos pelo SBT e Téo se transferiu para a emissora de Sílvio Santos. Período de muita audiência da Fórmula Indy no Brasil, com vários pilotos brasileiros correndo e disputa de audiência aos domingos com a Rede Globo. No Sistema Brasileiro de Televisão, ainda fez a cobertura da sua primeira Copa do Mundo: a de 1998, na França.
Após quatro anos no SBT, Téo continuou a carreira em várias outras emissoras, na PSN, morou em Miami, nos Estados Unidos, e fez a cobertura da Fórmula Indy, Libertadores e Eliminatórias da Copa. Voltou ao rádio com as transmissões da Fórmula 1, na Jovem Pan, em São Paulo. Ainda narrou a Fórmula Truck, na Rede TV.
Um dos grandes momentos da carreira foi na Band, quando teve a oportunidade de narrar a final da liga dos campeões da Europa, o campeonato brasileiro e duas copas do mundo. Em uma das copas, em 2014, no Brasil, tornou-se o principal locutor da emissora. Ele narrou os jogos da seleção brasileira e a final entre Alemanha e Argentina para todo o País, substituindo um dos maiores nomes da narração esportiva da televisão brasileira, Luciano do Valle, que morreu meses antes da competição. “Ainda não éramos amigos, mas estávamos nos aproximando, quando ele infelizmente faleceu”, recorda.
Téo José ainda trabalhou na Fox Sports e retornou ao SBT durante a pandemia, em 2020. Com o fim do contrato, em 2024, o jornalista voltou a Goiás e foi anunciado como coordenador do departamento de esportes da TV Sucesso, retransmissora da Band no Estado. “É um momento especial na minha carreira, em que buscamos desenvolver uma programação de qualidade sem ser popularesca. Pretendemos mostrar que Goiás não é só futebol, aqui também tem vôlei, tênis, automobilismo e outros esportes. Podemos ser um polo esportivo interessante para o País e quero fazer parte disso”, destaca.
Em Goiânia, Téo ainda participa do programa Rock Bola, na rádio 89 Rock. No cenário nacional, mantém as narrações com a transmissão da Liga de Futsal, e na Band, com a Copa Truck. Mas uma narração para todo o país marcará a carreira de Téo para sempre: a volta da MotoGP a Goiânia.




Moto GP em Goiânia: o maior evento da carreira
Em 1987, quando o mundial de motovelocidade esteve em Goiânia pela primeira vez, Téo era repórter da rádio Araguaia e fez a cobertura do evento pela emissora goiana. Trabalho que se repetiu nos dois anos seguintes em que a categoria esteve na cidade. Ele se recorda bem daqueles dias mágicos para a capital do Estado. “Lembro de 35 mil pessoas no autódromo, a praça Tamandaré não dormiu, foi muito legal. Na época não tinha internet, era só rádio, tv e jornal. Conheci o Reginaldo Leme, da Globo, e entrevistei os grandes pilotos daquele período”, destaca.
De volta a Goiânia, após quase 37 anos, a principal categoria de motovelocidade do mundo deve ser um “divisor de águas” para a cidade. “Vai ter um antes e um depois da MotoGP. As empresas terão uma visão diferente de investimento após o evento”, acredita. Téo avalia que a corrida trará a cidade para o cenário mundial. “Turistas de todo o planeta irão conhecer a nossa capital, estamos entre os 18 países no mundo que recebem a categoria”, afirma.
O momento também é de glória para a trajetória profissional do jornalista, já que ele irá narrar a corrida para todo o Brasil pela Band. “Vai ser o grande evento da minha carreira, na minha casa. Para mim, maior que as quatro copas do mundo que trabalhei. Eu estava na inauguração do autódromo em 1974 e passei grandes momentos ali. Vi desde o início das negociações para trazer a corrida novamente para cá. Espero narrar bem”, emociona-se.


Família, amizades e momentos de lazer
A família Auad é conhecida em Goiás pela tradição na medicina. O pai de Téo, Dr. Anuar (falecido em 1993), era um dermatologista respeitado na profissão. Ele desenvolveu o primeiro medicamento contra o vitiligo e foi homenageado com o seu nome batizando o Hospital Estadual de Doenças Tropicais (HDT), referência em infectologia e dermatologia sanitária em Goiânia.
Téo ainda tem dois irmãos médicos e diversos sobrinhos formados em medicina. “Como eu não gostava de estudar, nunca cogitei essa profissão. Eu detestava aqueles papos de casos médicos entre meu pai e irmãos nos almoços lá em casa”, recorda.
Além dos irmãos e do pai, o único filho, Alessandro Auad, 29 anos, também se formou em medicina, mas rapidamente desistiu da profissão e agora segue os caminhos da comunicação. Ele está no quarto ano de jornalismo em São Paulo e trabalha na rádio Bandeirantes.
O nome do filho é uma homenagem a um dos grandes pilotos dos tempos em que Téo era narrador da fórmula Indy. Alessandro Zanardi foi bicampeão da categoria e perdeu as duas pernas em um acidente durante uma corrida. Depois, seguiu a carreira como paratleta e se tornou o maior medalhista do paraciclismo nos jogos paralímpicos. “Por toda a trajetória dele, decidi homenageá-lo. Tive uma proximidade maior com o Zanardi na época em que trabalhei na Indy. Eu até inventei o bordão: segura o italiano!”, explica.
No automobilismo, fez boas amizades com os pilotos brasileiros Rubens Barrichello, André Ribeiro, Gil de Ferran e Christian Fittipaldi. No futebol, o melhor amigo é o ex-jogador Zinho, com quem também trabalhou na Fox Sports. “É um irmão, me abraçou quando morei no Rio de Janeiro”, afirma.
Casado há 38 anos com a esposa Telma, vive em Goiânia com ela e dois cachorros: o Anselmo e o Tigrão (referência ao mascote do Vila Nova, principal rival do Goiás). “O nome Tigrão foi ela que escolheu, para me provocar”, brinca.
Além de curtir e viajar com a família, nas horas de lazer, Téo conta que gosta de assistir à TV aberta. Novelas, jornais, Big Brother Brasil e o humorista Tom Cavalcante estão entre as atrações preferidas. “Mas não me chame para assistir a uma série de streaming. Não tenho paciência para isso”, comenta.
Na televisão, ainda acompanha os esportes: tênis e futsal estão entre os favoritos. Claro, também o futebol. “Eu escolho os melhores jogos da Série A para assistir e tenho que ver muitas partidas ruins dos times goianos na Série B, por causa do meu trabalho”, lamenta.
















